Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 19/06/2020
A Constituição Federal, promulgada em 1988, assegura, no artigo sexto, uma série de direitos sociais. Entre eles, está o acesso a saúde, juntamente com todos os elementos que o permeiam. No entanto, apesar de tal garantia percebe-se que, no Brasil, esse direito não é efetivado, visto que grande parte da população é obesa, e além de sofrer com os obstáculos que a sua condição física impõe, sofrem também com o preconceito da sociedade, podendo desenvolver problemas psicológicos. Nesse preocupante cenário, é preciso analisar o problema por perspectivas sociais.
Antes de tudo, é evidente que o papel da sociedade é determinante para a continuidade do preconceito contra pessoas acima do peso. Segundo o cientista francês Emile Durkheim o fato social é uma maneira coletiva de pensar e agir dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade, que é capaz de influenciar o indivíduo. Seguindo essa linha de raciocínio, percebe-se que a discriminação contra gordos, no Brasil, se encaixa na teoria do sociólogo, uma vez que, se uma criança cresce assistindo programas televisivos que propagam falas preconceituosas contra pessoas obesas – como é o caso do programa noturno apresentado pelo comediante Danilo Gentili, que constantemente ridiculariza um dos seus colegas de palco por conta do seu sobrepeso – esse jovem tende a adotar o mesmo comportamento. Assim, pela lógica durkheiminiana, o pensar corrompido se difunde pela sociedade devido a atuação irresponsável de parte da Mídia.
Além disso, a responsabilidade da população é outro fator que estimula os frequentes casos de obesidade. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, mais de sessenta porcento da sociedade desconhece os próprios níveis de colesterol, sendo que quatro a cada dez indivíduos apresentam taxas elevadas dessa gordura no sangue. De maneira análoga, percebe-se que infelizmente a maior parte das pessoas, além de não fazerem exames rotineiramente, apresentam hábitos de alimentação não saudáveis, o que acarreta em inúmeras doenças, dentre elas a obesidade é uma das mais graves.
Torna-se evidente, portanto, que o problema é grave e não pode ser ignorado. Para mudar esse quadro, além de a população alterar seus hábitos de alimentação e fazer exames frequentemente, a sociedade deve cobrar de a Mídia um comportamento mais empático em relação aos obesos por meio de pressão popular. Isso pode ocorrer, por exemplo, com boicotes a programas televisivos que promovam falas e atos gordofóbicos, a fim de que o preconceito contra indivíduos com sobrepeso diminua. Com essas medidas, que não excluem outras, espera-se que o artigo sexto da Constituição Federal brasileira seja cumprido plenamente.