Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 24/06/2020

A nutricionista e apresentadora de televisão Bela Gil fundamenta as suas escolhas alimentares ao afirmar que, por meio da alimentação saudável, é possível mudar o mundo. De fato, a sociedade atual, que requer a vida em ritmo cada vez mais acelerado, dá margem para o surgimento de diversos problemas ligados à má alimentação, dentre os quais se destaca a obesidade. Faz-se essencial destacar as origens desse problema e também seus impactos no convívio social, uma vez que nota-se o aumento do preconceito contra pessoas com sobrepeso.

Primeiramente, é preciso investigar o aumento dos casos de obesidade no Brasil. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde em 2018, o índice dessa doença aumentou em 110% nos jovens desde 2008, o que demonstra o agravamento dessa condição em tempos recentes. Essa realidade pode estar associada às pressões psicológicas do mundo moderno. Tomando como base o conceito de sociedade do cansaço do filósofo Byung-Chul Han, é possível demonstrar que a pressão para ser bem-sucedido tem comprometido a saúde mental de jovens e adultos, o que, por sua vez, acarreta em uma busca por satisfação em prazeres mais imediatos, como em alimentos saborosos e mais calóricos. Dessa forma, é preciso conscientizar a população sobre a necessidade de ver a alimentação não como uma fuga dos problemas, mas como uma prática de bem-estar.

Ademais, o aumento dos índices de obesidade tem revelado uma infeliz faceta do pensamento popular: o preconceito contra pessoas com sobrepeso. Nesse sentido, é fácil notar as reações adversas do público em relação a essas pessoas nos ambientes virtuais. A Youtuber Luíza Junqueira, por exemplo, é frequentemente vítima de diversos discursos de ódio em razão de seu peso corporal nos comentários de vídeos onde trata de questões relacionadas ao seu peso. Esse recrudescimento do ódio contra pessoas gordas é fruto de uma educação que não trata da importância de se respeitar o outro, uma vez que, segundo Platão, as injustiças são fruto de uma educação deficitária. Assim, nota-se a necessidade de educar a população adequadamente a esse respeito.

Nota-se, portanto, a necessidade de conscientizar a população a respeito da obesidade e do preconceito. Para tanto, o Ministério da Educação deve, em parceria com a Secretaria de Comunicação, criar campanhas nas escolas e na mídia sobre educação alimentar e cidadania, que seriam executadas em parceria com nutricionistas, cientistas sociais e influenciadores, como a Bela Gil, por exemplo, de modo a conscientizar a população tanto da importância de uma educação saudável quanto do respeito à pessoas fora do padrão considerado “normal” de peso. Assim, será possível mudar o Brasil por meio de uma nova visão da alimentação.