Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 25/06/2020
O número crescente de obesidade e sobrepeso tornou-se uma grande problemática na atualidade, originada de características endógenas e/ou exógenas, afeta desde a saúde física a emocional. Principalmente, quando há precariedade no amparo aos obesos, e os tornam alvos de preconceitos por não se enquadrar no padrão de um “corpo humano normal”, perfeito e socialmente aceitável.
Para a OMS (Organização Mundial da Saúde), a obesidade é uma doença que desencadeia alterações funcionais, estruturais ou comportamentais no organismo e leva a pessoa ao sofrimento. Diferentemente do que muitos pensam é um problema multifatorial, e não resultado de preguiça e indisciplina, existem fatores genéticos, hormonais, metabólicos e psicológicos que favorecem para o ganho de peso desordenado. Todavia, o excesso de gordura pode ser ocasionado por um estilo de vida inadequado, como sedentarismo e má alimentação, essas práticas não saudáveis começam precocemente na infância e adolescência, períodos de desenvolvimento que, além da formação de hábitos contribuem para que, o sobrepeso e obesidade possam atuar como fatores de risco na saúde emocional, por meio de ansiedade, bullying e preconceito, bem como na saúde física originando outras doenças como câncer, diabetes, hipertensão, cirrose hepática, problemas cardíacos e até o óbito.
Indubitavelmente, tornamo-nos uma sociedade que, fala de forma demasiada em aceitação e institucionaliza o preconceito contra pessoas gordas e obesas, ao criar desafios diários em ambientes que não estão preparados para recebê-los como: transporte público, aeronaves, restaurantes, entrevistas de empregos, comprar roupa pode tornar-se desgastante, emocionalmente, inclusive. As pessoas obesas sabem que vão ser alvos de piadas e julgamentos, esse preconceito muitas vezes aparece travestido de elogio ou preocupação, mas é conhecido por “Gordofobia”. Obesidade é uma doença, merece respeito e cuidado, não se deve usá-la como tentativa de categorizar e discriminar pessoas como normais e aceitáveis. Comparado aos magros os que têm excesso de peso são significativamente mais propensos a passar por isolamento, rejeição social, depressão e suicídio.
Em virtude do que foi mencionado faz-se necessário o entendimento da obesidade como problema de saúde pública e a urgência de estratégias governamentais para oferecer acessibilidade (rampas, elevadores…) em espaços físicos de instalações médicas e escolares. Disponibilizar consultas com nutricionista e psicólogo nos postos de saúde e escolas públicas. Financiar o incentivo a pesquisa, proporcional à sua prevalência e ao impacto na sociedade, bem como a criação de leis antidiscriminação visando eliminar as desigualdades sociais baseadas no peso e, sobretudo usar de uma mídia livre de preconceito para conscientizar jovens, educadores e profissionais de saúde.