Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 17/09/2020

A Constituição Federal, promulgada em 1988, garante aos cidadãos brasileiros diversos direitos, entre eles o direito a dignidade humana e à saúde. No entanto, constata-se que, entre a saúde e o preconceito, o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil é uma realidade. Assim, é lícito afirmar que a má alimentação e a intolerância com os obesos contribuem para a perpetuação desse cenário.

Em primeira análise, nota-se que a alimentação carente de nutrientes e rica em calorias é fator primordial para causar o sobrepeso e, gradativamente, a obesidade. Nessa perspectiva, segundo pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde, mais da metade da população está acima do peso e quase 20% está acima do peso com riscos à saúde. Sob essa ótica, uma vez desenvolvida a obesidade mórbida pela má alimentação, problemas de saúde, como a hipertensão e o acúmulo de gorduras no fígado, são mais recorrentes. Dessa maneira, sem os devidos cuidados, a obesidade pode agravar-se progressivamente até a morte.

Além disso, a gordofobia, preconceito com pessoas gordas, está cada vez mais notória na sociedade. Nesse sentido, de acordo com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, mais de 90% da população já presenciou ao menos um ato de gordofobia. Por conseguinte, dado que os casos de sobrepeso não estão atrelados a problemas de saúde e podem ser ocasionados apenas pela genética, o preconceito é baseado na desinformação e na eugenia do corpo magro. Desse modo, percebe-se a necessidade de mudanças sociais e alimentares na sociedade brasileira.

Portanto, diante dos fatos supracitados, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), promover boa qualidade alimentícia à população e o respeito à dignidade, por meio de programas alimentares, em que a alimentação saudável seja acessível e garantida pelo Estado por intermédio das hortas comunitárias, tendo em consideração a situação econômica de cada cidadão. Ademais, o MMFDH deve orientar, por meio das mídias sociais, sobre a necessidade de respeitar os deveres propostos na Constituição, com o intuito de garantir o direito a dignidade humana e à saúde. Dessa forma, o sobrepeso e a obesidade serão atenuados e aceitados.