Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 12/07/2020
“A Belle Époque”, que houve no final do século XIX, foi um período de adaptação tecnológica e de mudanças no modo de vida da época, na qual a população passou a exercer funções que até então não existiam. Voltando-se à contemporaneidade, é cognoscível que essas alterações culturais foram fundamentais para a formação da sociedade moderna, entretanto, é perceptível que esse novo modelo de vida contemporâneo trouxe graves problemas em âmbito global, como a obesidade e o aumento nos índices de doenças cardiovasculares. Nesse prisma, pode-se atrelar o aumento desses números com os novos estilos de vida moldados pelo capitalismo e com os preconceitos vigentes no Estado nacional.
Vale ressaltar, de início, que, no Brasil, a “gordofobia” é o preconceito mais praticado pela população brasileira em todo território nacional. De acordo com um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, publicada em 2017, cerca de 92% dos brasileiros já praticaram ou presenciaram algum ato de “gordofobia” e, aproximadamente, 36,7 % das pessoas que estão sobrepeso dizem ter vergonha de ir para academia. À vista disso, é notório que o preconceito é um fator limitante para a melhora na qualidade de vida desses grupos que, em compêndio, é ocasionador do crescimento linear de doenças de comorbidade e de caráter psicossomático. Logo, faz-se necessário a discussão profícua para minorar o preconceito voltado a esses grupos, pois, conforme Voltaire, filósofo e escritor francês, " preconceito é opinião sem conhecimento."
Em segundo plano, nota-se que o estilo de vida capitalista fomenta o sedentarismo e o aparecimento de doenças autoadquiridas. Nesse viés, o ex-diretor da Organização Mundial de Saúde, Francesco Branca aponta a obesidade como a " pandemia do século", uma vez que à sociedade está cada vez mais sedentária e com falta de autocuidado. Nesse espectro, é entendível que na, contemporaneidade, as relações trabalhísticas se tornaram mais estáticas e tecnológicas, fomentando um estilo de vida nocivo à saúde humana, que é favorecedor do aumento da taxa de óbitos no Estado brasileiro.
Em suma, medidas são essenciais para mitigar as problemáticas enfrentadas por essas parcelas populacionais. Primordialmente, o Ministério da Educação deve criar um projeto nacional escolar que vise abranger todas escolas brasileiras, na qual a finalidade é promover palestras e minicursos com educadores físicos e psicólogos, cujo objetivo é possibilitar o conhecimento a respeito da importância da prática de atividade física entre os jovens e debater acerca da importância de se respeitar as pessoas que estão acima do peso. Ademais, ONGs, engajadas em questões sociais, devem promover lives com sociólogos, com o desígnio de articular debates e conscientizar a população em relação as dificuldades enfrentadas por esses grupos na sociedade.