Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 11/07/2020
O renascimento tinha como uma de suas características a valorização pelo corpo gordo pois este, em um período marcado pela fome e escassez de recursos, simbolizava a fartura. No entanto, atualmente, ele é alvo de problemas de saúde e, infelizmente, de preconceitos. Nesse contexto, deve-se analisar tal quadro, intrinsecamente ligado à supervalorização da magreza pela mídia e ao sistema capitalista.
Primeiramente, é importante destacar o papel da mídia como precursora da gordofobia (aversão a pessoas gordas). Isso acontece porque a mesma, juntamente com a indústria da beleza, impõe o corpo magro como o ideal de perfeição, deixando todos os que não são à margem da sociedade, sendo visto como feios ou inadequados. Dessa forma, como retratado na obra 1984, do escritor George Orwell, a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa.
Em segunda análise, observa-se que o capitalismo foi responsável por moldar as relações sociais e os hábitos, entre eles, a própria alimentação na sociedade. Isso se deve, em grande parte, ao impacto que a Primeira Revolução Industrial teve na cadeia produtiva alimentar, acelerando cada vez mais o preparo, a distribuição e o consumo. Assim, o incentivo à alimentos que são mais rápidos e práticos, porém mais calóricos, potencializou a obesidade e, consequentemente, doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão e câncer.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para mitigar o problema. Em razão disso, o sistema de saúde, com o devido apoio da OMS deve promover campanhas de incentivo à alimentação saudável e equilibrada, com o objetivo de diminuir os casos de obesidade e os seus efeitos. Além disso, a mídia, como grande influenciadora da massa, deve desconstruir o ideal de corpo perfeito criado por ela, a fim de que mais pessoas sintam-se incluídas. Só assim, o Brasil poderá se desprender das amarras do preconceito e das doenças e progredir em direção à mais saúde, qualidade de vida e respeito.