Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 17/07/2020
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) relata que quase 20% da população, no Brasil, está acima do peso. Os dados, por sua vez, tornam-se mais preocupantes, a partir do momento, que notificam que essa proporção tende a aumentar com o tempo. Nessa perspectiva, urge a importância de analisar entre a saúde e o preconceito: o problema do sobrepeso e da obesidade no Brasil. Desse modo, nota-se que tal questão está associada à conjuntura permeada pela industrialização, além de evidenciar uma não consonância perante os dispositivos constitucionais e a realidade exposta.
A princípio, a Terceira Revolução Industrial alinhou conhecimento científico com inovações tecnológicas. Nesse sentido, percebeu-se uma mudança na alimentação do homem, com o aparecimento dos alimentos industrializados que possuem, notadamente, uma quantidade elevada de sódio, carboidratos e gorduras. Ao passo que fomenta não só o aumento de indivíduos com sobrepeso, mas também problemas contra a saúde, dado que pessoas com elevadas taxas de triglicerídeos são mais propensas às doenças cardiovasculares, como alerta o INCOR (Hospital do Coração). Dessa maneira, é possível perceber a relação entre a industrialização com o sobrepeso.
Outrossim, a Constituição de 1988 estabelece que todos os cidadãos possuem o direito ao respeito, no entanto, a realidade expõe uma contrariedade. Nessa lógica, esse paradoxo expressa-se, seja pelo preconceito- com detrações e subjugamentos- direcionado aos obesos, seja pela inoperância do Estado na elaboração de ações para dirimir tal emblema. Tanto que o paralelo entre a Constituição e a realidade ecoa o Enigma da Modernidade, do filósofo Henrique de Lima, o qual declara que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, observa-se uma dissonância ante a Carta Magna e a narrativa factual que precisa ser solucionada.
Logo, é imperativo que o Estado mude esse quadro. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo elabore políticas públicas por meio de verbas governamentais, a fim de mitigar os emblemas relacionados à obesidade. Posto isso, é necessário criar, aliado à mídia, campanhas publicitárias, mediante depoimentos de médicos, que alertem sobre os perigos dos alimentos industrializados para a saúde, com o intuito de conscientizar a sociedade. Ademais, é imprescindível que tal esfera do poder, associado ao Ministério da Educação, elabore palestras sobre o preconceito contra os obesos, utilizando dados estatísticos, com o objetivo de estabelecer concordância entre os dispositivos constitucionais e os fatos. Dessa forma, resolver-se-ão os emblemas de tal questão no tecido social pós-moderno.