Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 21/07/2020
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem estar social. Entretanto, no Brasil, a atual situação da obesidade, bem como o preconceito da sociedade sobre o tema, impede que tais direitos sejam usufruídos por essa parte da população. Nesse contexto, os dilemas que envolvem esse processo ocorrem, sobre tudo, por razões econômicas e sociais.
Precipuamente, cabe destacar que a rotina dos trabalhadores é um fator significativo para o aumento de peso da população. Nesse sentido, consoante a Byung Chul-Han, em sua obra ‘‘Sociedade do Cansaço’’, vive-se, no século XXI, uma busca contínua pela produtividade, na qual o sucesso é atrelado a capacidade produtiva, com o intuito de incentivar o consumismo. Em linhas gerais, os indivíduos inseridos nesse cenário tendem a ter um comportamento voltado a capacidade produtiva, que os faz ter uma rotina acelerada em busca do sucesso e, por consequência, não cuidam da própria saúde. Nessa perspectiva, ocorre o aumento do consumo de alimentos de baixo valor nutricional, de exempli gratia, os famosos ‘‘fast-foods’’, que não são alimentos recomendados para uma dieta saudável. Por conseguinte, segundo o IBGE, o Brasil conta com 20% da população com problemas de peso.
Ademais, delinea-se oportuno lembrar que a descriminação contra pessoas gordas é presente na sociedade. Sob esse prisma, sujeitos que estão com notável peso acima da média são vistos como indivíduos que tiveram uma falha moral, o que incentiva a disseminação do preconceito. Segundo Hannah Arendt, em sua obra ‘‘Banalidade do Mal’’, quando ações antiéticas são praticadas recorrentemente, elas tendem a ocupar o lugar da normalidade e se tornam ordeiras. Dentro dessa perspectiva, pessoas obesas sofrem com atitudes de carácter descriminatório todos os dias, como por exemplo, o programa de Tv ‘‘Pânico’’, que recorrentemente usava o peso do integrante ‘‘Bola’’ de forma pejorativa. Logo, além da saúde física, a saúde mental desse grupo também é afetada.
Em vista dos fatos supracitados, medidas exequíveis são nessas para conter tal problemática. Torna-se, então, necessário que o Ministério da Saúde atue em conjunto com a mídia em projetos de cunho elucidativo sobre a importância de uma boa alimentação. Isso pode ser feito com palestras de profissionais da área da saúde tanto em escolas e universidades, quanto nas mídias de rádio, tv e internet, para solidificar o conhecimento da população sobre uma boa alimentação e consequentemente, evitando o aumento indevido de peso. Outrossim, debates também midiáticos sobre a importância do respeito aos diferentes corpos presentes na sociedade são de fundamental importância para combater os preconceitos presentes sobre essa temática.