Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 12/10/2020
Na célebre obra cinematográfica “Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador”, a personagem Bonnie Grape sofre com as mazelas da obesidade, recusando-se a sair do seu lar e buscar um tratamento adequado por causa do receio de sofrer preconceito no processo. Não obstante da dramaturgia, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações entre saúde e preconceito que se configura o problema de obesidade e sobrepeso da ficção. Isso ocorre, sobretudo, devido padrões culturais, gerando discriminação.
Mormente, ao analisar a obesidade e o sobrepeso por um prisma cultural, nota-se forte influência desse fator na permanência da problemática. Segundo teóricos do determinismo geográfico, o homem é produto do meio, sendo fruto do que o ambiente ao seu redor possui para ofertá-lo. Nesse contexto, pode ser observado o ideal em prática ao ressaltar a facilidade de acesso que os brasileiros possuem à péssima alimentação, gerada pelos agentes midiáticos que criam um paradigma social de que tipos específicos de alimentos são necessários para os prazeres cotidianos - geralmente, comidas consideradas danosas à saúde. Logo, enquanto o meio promover uma cultura de má alimentação, o produto será de indivíduos fortemente alienados.
Além disso, surge a questão dos atos discriminatórios, que fomentam a gravidade desse cenário. A Teoria da Eugenia, cunhada no século XIX e utilizada como base do nazismo, defende o controle social por meio da seleção de aspectos considerados melhores. De acordo com essa perspectiva, porquanto, haveria seres humanos superiores, a depender de suas características. No contexto brasileiro atual, a noção eugênica de superioridade pode ser percebida na questão da gordofobia, cuja base forte é a discriminação. Desse modo, enquanto os adeptos da eugenia contemporânea permanecerem o preconceito, o corpo social continuará com receio de buscar um tratamento apropriado, assim como ocorreu com a desafortunada Bonnie Grape.
Torna-se imperativo, portanto, solucionar tais entraves. O Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, deve propagar campanhas de busca por uma reeducação alimentar por meio de comerciais televisivos e palestras com nutricionistas nas redes sociais, a fim de que todos tenham acesso à informação e haja a desmitificação de que apenas alimentos maléficos são prazerosos. Ademais, o Ministério da Educação deve obstruir o caminho da discriminação por meio de uma mesa-redonda com psicólogos e vítimas de gordofobia, para que os jovens sejam educados precocemente sobre o assunto e não se tornem adultos que o pratiquem. Somente assim, os males dessa questão estarão apenas presentes em “Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador”.