Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 22/07/2020

Publicidade agressiva. Sedentarismo. Preconceito. Esses são alguns dos fatores que colaboram para a evolução de casos de obesidade e sobrepeso no Brasil e , consequentemente o crescimento exponencial de outras doenças subjacentes. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grande problema de contornos específicos em virtude da falta de racionalidade e silenciamento à nível social.

Em primeira análise, de acordo com o médico Drauzio Varella, a subnutrição do passado foi substituída pela má nutrição. Isso porque, a publicidade agressiva por parte da indústria alimentícia atrelada a um estilo de vida sedentário podem ser os responsáveis por inconscientemente influenciarem as escolhas dos cardápios desde o público infantil ao adulto, promovendo a ideia de que um alimento ultraprocessado ou enlatado, por exemplo, se adequa mais a rotina e ao bolso dos brasileiros. Assim, sem a presença de uma lógica que permita tomar decisões  de bom senso, esse problema tem sua intervenção dificultada.

Além disso, o preconceito que inibe que a população obesa busque ajuda clínica e formas de reinserção, encontra terra fértil na marginalização social. A revista Super interessante constatou em uma de suas matérias que  o obeso sente que a sociedade quando não o ignora, o agride. Situações como essas favorecem o aumento de outras doenças subjacentes dessa população como depressão, hipertensão e diabetes. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que o problema que contribui para o impasse entre saúde e preconceito, referente a esse grupo, seja resolvido, faz-se necessário debater sobre que de fato a obesidade é caracterizada como uma doença aumentando, assim a chance de atuação sobre a mesma.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se adequar aos problemas de saúde contemporâneos como a obesidade e o sobrepeso, com o intuito de  viabilizar bem-estar e qualidade de vida sem distinção. É importante que o Governo Federal em consonância com o Ministério da Saúde estabeleçam campanhas informativas  nos canais midiáticos e assim , divulguem formas de integrar um cardápio saudável e acessível juntamente com grupos de apoio psicológico para a população obesa que necessita de suporte para superar suas limitações. Dessa maneira, com o Estado auxiliando no fim de abusos e marginalizações, será possível promover o bem-estar social e físico para os que carecem de apoio e informação.