Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 06/08/2020
A obesidade e o sobrepeso são graves problemas da vida moderna, não só por serem fatores de risco para doenças perigosas — como a diabetes mellitus e a hipertensão arterial —, mas por todo o preconceito social que envolve o assunto. Há muita intolerância acerca do tema, sobretudo na sociedade brasileira. Por isso, se se deseja compreender e sanar a questão, é preciso, antes, considerar dois pontos fundamentais, são eles: a relação entre o sobrepeso e a urbanização e as consequências da chamada “gordofobia”.
Antes de tudo, é preciso entender a obesidade como um problema relacionado à dinâmica dos centros urbanos. É inquestionável que, devido ao crescimento das metrópoles, à extensão das jornadas de trabalho e à ineficiência do deslocamento urbano, há um contínuo processo de redução do tempo disponível para o lazer e o bem-estar na contemporaneidade. Nessa linha, a má alimentação, bem como o sedentarismo, surgem como respostas ao ritmo de vida propriamente cosmopolita, tipicamente apressado e com pouco ou nenhum espaço para refeições saudáveis, essa é a essência do “fast food”. Portanto, o funcionamento socioeconômico da cidade também deve ser encarado como causa importante do problema, e quaisquer medidas que visem prevenir a obesidade devem levar isso em consideração.
Além disso, há de se conceber os graves efeitos psicológicos que o preconceito pode desencadear. Há, nesse sentido, a necessidade de pontuar uma evidente incongruência que pauta as relações sociais: se, por um lado, a sociedade produz e incentiva o consumo de alimentos processados, ricos em calorias, açúcar e sódio, por outro, ela satiriza a aparência das pessoas acima do peso. Como indica pesquisa do IBOPE, 92% das pessoas já presenciaram a gordofobia. Ora, essa ambiguidade, junto à pressão de familiares e amigos em relação à perda de peso, provoca sérias crises psicológicas ou transtornos, como a depressão ou a bulimia. Em suma, a obesidade é um problema que vai além do corpo, pois afeta também a condição psicológica do indivíduo.
Logo, para tratar as diferentes facetas do problema, é preciso colocá-lo no centro do debate público. Senso assim, os Ministérios da Educação e da Saúde devem, por meio dos recursos da União, promover campanhas publicitárias e palestras em escolas do ensino básico e hospitais, visando divulgar informações e dados acerca das calorias dos alimentos, dos benefícios dos exercícios físicos, da própria questão da gordofobia, etc. Desse modo, aumentar-se-ão os cuidados com o corpo e, consequentemente, o conhecimento a respeito do seu funcionamento, prevenindo-se, então, diversos problemas relacionados ao bem-estar físico e mental.