Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 28/07/2020

Segundo Maquiavel “não há nada mais difícil ou perigoso do que tomar a frente na introdução de uma mudança”. De fato, constata-se a inércia da sociedade brasileira em relação aos problemas de obesidade e sobrepeso. Com efeito, é preciso analisar os entraves que englobam essa problemática, a qual persiste influenciada pela carência de discussões produtivas sobre suas causas e também pela ausência do Estado.

Em primeiro plano, a escassez de debates férteis evidencia-se como responsável pelo problema. Nesse sentido, o filósofo alemão Jürgen Habermas ensina que por meio dos regimes democráticos da Modernidade podem-se criar diálogos e participações - sob  a lógica da auto análise - capazes de estabelecer a harmonia entre interesses individuais e coletivos. Entretanto, no Brasil, ocorre o silenciamento diante dos problemas de saúde causados pela obesidade, fato provocado por interesses escusos da indústria alimentícia. Dessarte, por dedução analítica, um amplo debate social se impõe para atuar nas raízes da questão.

Em segunda análise, é fundamental observar a omissão estatal como fator dificultador. De acordo com Thomas Hobbes, o Estado é responsável por organizar a sociedade e garantir o bem-estar comum. Contudo, devido à falta de atuação dos escalões de governança, os problemas de saúde associados à obesidade e ao sobrepeso impedem o pleno exercício da cidadania por significativa parcela da população, como, por exemplo, os obesos que são forçados a adquirir duas passagens aéreas. Dessa maneira, a estabilidade social é mitigada e garantias básicas, cerceadas.

Assim, o Governo Federal - em conjunto com a iniciativa privada - deve incentivar a leitura de livros que abordem a obesidade e o sobrepeso, por meio de exposições e mostras culturais abertas ao público e que divulguem as obras, para que seja exposta a relevância do debate acerca do problema. Ademais, os professores podem realizar o processo mediador entre as questões que envolvem a temática e a sociedade civil. Nesse contexto, valem os versos de Paulo Leminski: “Em mim eu vejo o outro”.