Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 30/07/2020

No filme Dumplin a protagonista, Willowdean, sofre julgamentos por estar acima do peso e ser comparada à mãe, que é ex-miss, o que agrava ainda mais os casos de bullying sofrido por ela. Embora trate de uma obra ficcional, o filme assemelha-se ao contexto vivenciado pela população brasileira acima do peso que enfrenta o dualismo entre a saúde e o preconceito, já que a obesidade é um problema de saúde pública e de estigmatização.

Primeiramente, é necessário analisar a obesidade como um problema de saúde pública, uma vez que há um aumento exponencial desses casos. De acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas de 2018, 55,7% da população adulta do Brasil está com excesso de peso e 19,8% está obesa. Neste contexto, conforme a Organização Mundial de Saúde, a obesidade é um dos problemas de saúde mais graves a ser enfrentado.

Ademais, os indivíduos acima do peso sofrem com a culpabilização por parte da sociedade. Assim como o constante supervisionamento da sociedade que é relatado na obra Vigiar e Punir, de Michel Foucalt, os padrões sociais estão sempre fiscalizando os indivíduos. O ser humano está a todo momento preocupado com o julgamento sobre seu corpo, modo de se vestir, agir e falar. Neste cenário, esses indivíduos com sobrepeso são classificados como preguiçosos e desleixados, o que resulta na exclusão destes pela sociedade.

Diante disso, faz-se necessário que o Ministério da Saúde promova a aproximação da população com equipes de nutricionistas e técnicos em nutrição, por meio de uma maior disponibilidade desses funcionários no Sistema Único de Saúde, afim de orientar os hábitos alimentares desses indivíduos. Além disso, cabe ao Ministério da Educação em conjunto com o Conselho Federal de Nutricionistas promover campanhas de combate a gordofobia nas escolas, para que assim desde cedo as crianças brasileiras aprendam a conviver com a diversidade dos corpos.