Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 02/08/2020

Nos últimos anos, a obesidade tem se tornado no Brasil uma espécie de epidemia e com isso, um problema de saúde pública no país. É dessa forma, que o médico e escritor Dráuzio Varela caracteriza a doença durante a série televisiva - O Sistema. Além disso, a rotina dos portadores dessa comorbidade é permeada de desafios e preconceitos. Assim, o debate acerca do ganho excessivo de peso em considerável parcela da população é fundamental, e fatores como a má nutrição e o estilo de vida sedentário da sociedade contemporânea são questões a considerar sobre a temática.

Em primeiro lugar, o entendimento da obesidade como doença e problema de saúde pública no cenário brasileiro, é fundamental para o enfrentamento dessa epidemia. Prova disso, é o dado fornecido pelo Ministério da Saúde que cerca de 20% da população do Brasil é obesa, e 32% encontra-se em estado de sobrepeso. Não obstante, aliado às doenças físicas desse contexto, a exemplo de problemas cardiovasculares, diabetes, e até mesmo o câncer, os pacientes obesos, encaram diariamente o preconceito e são afetados também por questões de ordem psicológicas, ao vivenciarem exclusão social, distúrbios de imagens, além da sensação de invalidez.

Ademais, a cultura da sociedade moderna acerca dos alimentos industrializados, bem como as propagandas cada vez mais atrativas de refeições não saudáveis, são fortes contribuintes para os números da obesidade no País. Do mesmo modo, tem-se ainda, o sedentarismo, que é também, fator de risco, tanto quanto impeditivo para o combate do ganho de peso excessivo. Logo, a falta de autocuidado e a carência de políticas públicas mais efetivas para essa parcela populacional são também aliados favoráveis à doença. Como exemplo, tem-se uma falha encontrada  no próprio Sistema Único de Saúde (SUS), que oferece o suporte cirúrgico com a bariátrica, mas não fornece o tratamento clínico para obesidade, sendo esse último, fundamental para o combate de uma comorbidade muito relacionada a hábitos e estilo de vida.

Sendo assim, as políticas para o enfrentamento da obesidade devem contar com a ação do Ministério da Saúde e Educação, além do apoio da mídia com seu poder persuasivo. Portanto, a saúde deve atuar ao garantir no SUS o tratamento clínico para obesidade, e incentivar, por meio da inserção de mais profissionais nutricionistas e psicólogos, uma readaptação do estilo de vida e entendimento da doença como algo a ser revertido e não como o fim da vida para o paciente. Aliado a isso, o setor educacional e os meios de comunicação precisam estar pactuados quanto à informação e indução das praticas de autocuidado e hábito alimentar, por meio das propagandas, sobretudo, em horário nobre televisivo. Somente assim, terá-se uma nação saudável e digna de uma elevada expectativa de vida.