Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 07/08/2020

A série norte-americana “Insaciável”, logo após seu lançamento, recebeu muitas críticas negativas por ridicularizar a condição obesa da personagem principal, provocando a associação de magreza à felicidade. Embora trate-se de uma produção televisiva, a realidade polêmica entre a retratação da obesidade como doença crônica e discurso de ódio não se limita às telas. Diante disso, depreende-se que esse estado caótico encontra como causa a falta de informações sobre as consequências da má alimentação e estimula o preconceito contra pessoas obesas e sua constante repressão.

Em primeira análise, percebe-se que o desconhecimento a respeito dos malefícios associados ao excesso de peso leva mais pessoas a conviverem com doenças resultantes de seus hábitos alimentares. Segundo pesquisa realizada em 2018 pela Agência Brasil, 1 a cada 5 brasileiros é obeso, dado que mostra a relevância do assunto no país. Nesse sentido, ao ser considerada a grande quantidade de casos, a preocupante falta de informações sobre enfermidades derivadas da obesidade, como insuficiências cardíacas, diabetes, pressão alta e cânceres, permite uma maior desatenção por parte dos enfermos. Dessa forma, sem a recomendação adequada, tendem a manter-se em inércia a respeito de sua condição e são propensos ao desenvolvimento de complicações de saúde.

Além disso, o bullying sofrido por pessoas acima do peso torna esse grupo marginalizado da sociedade por ser erroneamente excluído do ilusório padrão de beleza pregado pela mídia. A partir do levantamento realizado em 2017 pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, observa-se que mais de 90% da população consultada já havia presenciado algum tipo de preconceito contra obesos. Logo, verifica-se que a gordofobia é uma realidade enfrentada diariamente em ocasiões sociais e na esfera digital, agravada pela mínima representação cultural que esse grupo encontra em filmes, séries ou novelas, fortalecendo a busca por um corpo inalcançável e a consequente frustração e exclusão daqueles não encaixados nos padrões disseminados.

Portanto, infere-se que o estado de desinformação sobre doenças provindas da obesidade e a falta de representatividade devem ser contornados. Desse modo, é preciso que o Ministério da Saúde, por meio de campanhas publicitárias veiculadas na grande mídia, informe as enfermidades que uma pessoa com obesidade está sujeita a contrair, a fim de que, adequadamente alertada, a população repense sua responsabilidade alimentar. Associado a isso, a Secretaria Especial da Cultura deve, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara, tornar obrigatória a inclusão de ao menos uma pessoa com excesso de peso a divulgações publicitárias, estimulando uma maior normalização e a consequente desconstrução de preconceitos a respeito de corpos reais e distantes da ilusão midiática.