Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 09/08/2020
O renomado pintor do período Barroco, Peter Paul Rubens, era conhecido por pintar mulheres voluptuosas e corpulentas, pois na época supracitada, tal estética era sinal de fertilidade, riqueza e status social. No entanto, cinco séculos depois, os padrões estéticos mudaram radicalmente e o “não ser magro” tornou-se alvo de críticas e preconceito, pois com o aumento do consumo de “junk foods”, estar com sobrepeso mostra-se sinônimo de má qualidade de vida e traz para a pessoa não apenas estigmas no que tange os padrões estabelecidos, mas um pacote de doenças sistêmicas causadas pelos maus hábitos alimentares. Dito isso, urge a necessidade de implementar políticas públicas que visem reeducar os brasileiros na maneira como se alimentam e desassociar o “estar fora da medida padrão” como sinônimo de doença e sedentarismo.
Primeiramente, de acordo com a “Constituição Cidadã” de 1988, é garantia e direito social o acesso à saúde. Posto isto, vê-se que a promoção da saúde, embora fundamental, não tem sido promovida de forma eficiente, uma vez que mais da metade da população brasileira adulta está acima do peso de acordo com o Ministério da Saúde. Isso nos mostra que os brasileiros desconhecem os riscos trazidos pelo exagerado consumo de alimentos ultraprocessados e seus malefícios a curto e longo prazo.
Somando-se a isso, o comportamento realizado pelos adultos é congênito ao homem e imitado irracionalmente pelas crianças por meio da mímese, de acordo com Aristóteles em sua obra “Arte Poética”. Posto isso, o nível de obesidade na idade tenra aumenta e traz não somente patologias advindas da má nutrição, mas também as críticas e preconceito, assim como praticado pelos adultos. Dessa forma, crianças que sofrem de obesidade passam por situações constrangedoras que vão de comentários irônicos até mesmo ao bullying, causando consequência no processo de formação dos pequenos, podendo gerar comportamentos antissociais, ansiedade e até mesmo depressão.
Logo, medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário. É fundamental, portanto, a criação de campanhas publicitárias, pelo Governo Federal, que alertem os brasileiros sobre os malefícios de uma má nutrição, por meio de vídeo e peças para redes sociais que mostrem partes do processo químico e industrial que envolve a produção de alimentos industrializados e ultraprocessados e seus malefícios para a saúde humana. Ademais, é vital a desassociação do “fora de forma” a doenças e ao sedentarismo, usando como canal de veiculação dessa mensagem as novelas e jornais por serem amplamente consumidos pela população brasileira. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhora das condições educacionais e de saúde dos brasileiros.