Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 10/08/2020
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. De forma análoga, este poema do grande poeta Carlos Drummond de Andrade assemelha-se o cenário brasileiro atual, uma vez que a obesidade ainda é um problema persistente no desenvolvimento do país. Diante disso, é preciso destacar as origens desse impasse, ressaltando seus prejuízos no convívio social, já que é notório o aumento da discriminação contra pessoas sobrepeso.
Em primeira análise, a consolidação da indústria brasileira no século XX trouxe mudanças no cotidiano social e, consequentemente, nos hábitos alimentares das pessoas, considerando que a procura por Fast food e alimentos industrializados que possuem altos níveis calóricos aumentaram de maneira progressiva, tendo em vista que são opções de consumo rápido que se tornaram mais eficientes diante de uma rotina tão agitada. Somado a isto, a falta de tempo para a prática de exercícios físicos também se torna um fator determinante para o aumento de peso da população. Reflexo desse panorama são os resultados de uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, apontando que o número de obesos no Brasil aumentou 67,8% entre os anos de 2006 e 2018.
Ademais, essa questão aumenta a discussão acerca do preconceito sofrido por indivíduos acima do peso. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, os indivíduos se sentem na obrigação de agir conforme as normas e valores sociais vigentes, visto que do contrário sofreriam algum tipo de julgamento. Sob tal ótica, pessoas obesas ou sobrepeso acabam sofrendo um tipo discriminação chamado de gordofobia, em virtude dos padrões de beleza estabelecidos pela sociedade que valorizam o corpo magro e atlético, enquanto aqueles que não o seguem convivem com as críticas e prejulgamentos que muitas vezes acabam os levando a desenvolverem problemas psicoemocionais.
Portanto, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. O Governo Federal por meio do Ministério da Educação poderia promover atividades dinâmicas e lúdicas escolas que conscientizem os perigos da má alimentação. Dessa forma, os estudantes terão acesso a informações sobre o assunto podendo evitá-lo no futuro. O Ministério da Saúde juntamente coma Secretária Especial de Comunicação poderia promover campanhas publicitárias pelos meios de comunicação com a presença de médicos e nutricionistas, alertando sobre a obesidade e suas consequências, como evitar essa condição e também sobre a importância do respeito àqueles fora dos padrões de belezas convencionais estabelecidos no meio social. Dessa maneira, a obesidade deixará de ser uma “pedra no caminho” para uma sociedade com uma melhor qualidade de vida.