Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 11/08/2020
O peso da diferença entre o pradrão e a relidade
A boneca “Barbie”, criada em 1959, segue um modelo estético, inatingível pela anatomia humana, de perfeição das medidas corporais e gera um incentivo, já na infância, à valorização da magreza como qualidade necessária para a beleza. Entretanto, no Brasil e em vários outros países, o perfil social não se equipara aos padrões exigidos por estas mesmas sociedades, estando, a maioria dos brasileiros, em categoria de sobrepeso ou obesidade. Tal discrepância, ocasionada pela pela baixa qualidade alimentar, provoca a eugenia corporal e o preconceito àquele que encontra-se fora dos padrões.
Uma das principais causas do sobrepeso e obesidade é a má seleção alimentar, que acarreta um “déficit” de nutrientes e um “superávit” calórico. Essa situação é estimulada, de acordo com o professor Barry Popkin da universidade da Carolina do Norte, pelo “desaparecimento progressivo de locais onde alimentos frescos são vendidos, o aumento de supermercaods e o controle da cadeia alimentar por multinacionais em muitos países”.
Como consequência da discrepância observada entre os padrões estéticos e a realidade do perfil social, encontra-se a gordofobia. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística mostram que 92% dos brasileiros já praticaram ou presenciaram algum ato gordofóbico. A existência do preconceito derivado da eugenia da magreza gera a redução das oportunidades socioeconômicas, em relações afetivas e profissionais, e a instabilidade da segurança psicológica, causando baixa autoestima e sentimento de incapacidade.
Em suma, duas mudanças sociais são necessárias: a que tange a saúde do organismo e a que refere-se à alteração dos padrões de beleza na sociedade. Dessa forma, é de grande importância, por parte do Ministério da Saúde, a integração de campanhas que explicitem a necessidade de uma boa qualidade alimentar, com ingestão de diversificados nutrientes. Em concomitância, é fundamental o início da desconstrução do padrão estético e do pensamento de eugenia, iniciado já na infância dentro do ambiente escolar, para que assim, haja uma maior integração socioeconômica entre a população.