Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 17/08/2020
A série norte-americana, exibida pela plataforma de streaming Netflix, “Insatiable”, retrata a história de uma adolescente obesa, a qual insatisfeita com sua aparência realiza uma dieta radical em busca de aceitação. Fora das telas, o sobrepeso e a obesidade constituem uma problemática que tem se tornado cada vez mais comum, afetando milhares de brasileiros. Nesse sentido, é preciso compreender as causas que intensificam esse transtorno e as consequências acarretadas por ele, tanto na saúde física quanto mental do indivíduo.
Consoante a Organização Mundial de Saúde (OMS), “a obesidade pode ser considerada uma doença crônica que, atualmente, afeta vinte por cento da população brasileira adulta e outros sessenta por cento através do sobrepeso”. Assim, a predisposição gênica apresenta papel fundamental nessa situação, uma vez que, caracteriza aspectos como lento metabolismo e processamento de nutrientes, os quais influenciam no aumento do peso. Entretanto, hábitos alimentares ruins associados à falta de práticas de exercícios podem intensificar o aparecimento da doença. De acordo com uma pesquisa da Vigitel Brasil, realizada em 2010, cerca de quinze por cento dos habitantes do país apresentam sedentarismo e apenas dezoito por cento possuem uma alimentação saudável.
À vista disso, indivíduos obesos enfrentam inúmeras consequências negativas, como dores nas juntas e articulações, problemas respiratórios, compulsão alimentar, além de predisposição a acontecimentos mais graves, podendo provocar morte do paciente, tal qual tumores e ataques cardíacos. Ademais, segundo o sociólogo do século XX, Erving Gofmann, um ser humano que foge dos padrões sociais vigentes tende a ser estigmatizado. Dessa forma, pessoas obesas fogem do esteriótipo típico brasileiro e ficam mais sujeitas a ataques preconceituosos, se tornando mais suscetíveis à dificuldade de aceitação e a possuírem um quadro de crises de ansiedade e depressão.
Diante do exposto, é nítida a necessidade de conscientização acerca do assunto. Portanto, cabe ao governo, por meio do Ministério da Saúde, promover campanhas através de mídias digitais, folhetos e outdoors que busquem difundir para os cidadãos a seriedade dessa questão e os graves impactos gerados por ela no bem estar do ser humano, conscientizando a população e atenuando o número de afetados. Outrossim, cabe ao próprio cidadão se policiar sobre certos hábitos, mantendo um padrão de vida sadio, através da prática de exercícios físicos e da manutenção de uma boa alimentação, realizando acompanhamento médico sempre que possível, a fim de evitar o aparecimento de adversidades. Somente com essa parceira, essa enfermidade poderá ser tratada com respeito, consolidando-se como mais que uma questão de aparência, como tratado na série “Insatiable”.