Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 03/09/2020

A Revolução Industrial introduziu uma nova forma de trabalho pautada na produção em série, longas jornadas de trabalho e curtos intervalos para alimentação. Hodiernamente, no Brasil, mesmo com os direitos trabalhistas, o tempo de refeição continua encurtado e isso leva os trabalhadores a optarem por comidas de baixa qualidade, o que aumenta os índices de obesidade na população trabalhadora. Somado a isso, a valorização do corpo magro e forte pela mídia contribui para o preconceito e exclusão das pessoas obesas e de sobrepeso na sociedade. Nesse viés, a obesidade no Brasil é um problema oriundo de características da sociedade capitalista industrial, na qual os afetados pelo problema sofrem com o preconceito da sociedade.

Primeiramente, é mister afirmar que o ambiente de trabalho exerce influência sobre o problema. Nesse contexto, o filme Tempos Modernos, do ator e diretor Charlie Chaplin, retrata o quanto os patrões valorizam mais a produção e o lucro do que a saúde do trabalhador. Dessa forma, conclui-se que os trabalhadores atualmente, para potencializar a produção, optam por alimentos não-saudáveis e de rápida ingestão para voltar rapidamente às suas tarefas e potencializar o lucro. Tal fenômeno está prejudicando a saúde dos trabalhadores e os tornando obesos.

Outrossim, é necessário abordar o preconceito da sociedade em relação às pessoas obesas e de sobrepeso. Segundo o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, mais de 80% da população brasileira já praticou ou sofreu gordofobia. Tal fenômeno ocorre pois a população brasileira e mundial valoriza o corpo atlético e forte devido a influência das telenovelas e filmes propagados pela mídia no gosto pessoal dos indivíduos. Além disso, a falta de representatividade positiva de pessoas acima do peso na TV também colabora com o problema pois inviabiliza essa parcela da população e contribui com a ideia de que todos devem ter ou almejar o padrão de corpo representado pela indústria midiática.

Portanto, o Ministério do Trabalho, em parceria com o Ministério da Saúde, deve ampliar o tempo de alimentação dos trabalhadores e convocar nutricionistas para elaborar o cardápio de alimentação deles para que, desse modo, a preferência por fast-food não aconteça e os trabalhadores tenham uma nutrição mais saudável. Outrossim, a mídia deve ampliar o debate sobre gordofobia e sobre a representatividade de pessoas acima do peso por meio da transmissão de conversas sobre o tópico com profissionais, como nutricionistas, e com pessoas comuns, como influenciadores que abordam o assunto nas redes sociais, para que, dessa maneira, a população se conscientize sobre o assunto e reveja suas ações.