Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 03/09/2020

Anitta chamou atenção ao estrear com seu “bale inclusivo”, que deu espaço para que pessoas acima do peso dançassem livremente no palco de um grande evento. De fato, a iniciativa da cantora foi simbólica, dado que no Brasil a questão da obesidade é cercada por preconceitos que descredibilizam e excluem os indivíduos acima do peso. Nesse contexto, também é pertinente evidenciar a questão dos hábitos alimentares, fator que influencia diretamente na qualidade de vida da população.

Torna-se relevante, de início, um estudo do corpo social e sua visão sobre pessoas obesas. Nesse sentido, o Brasil é altamente excludente em relação à obesidade, não somente na ineficiência de políticas de inclusão, mas também na estigmatização desse grupo. Nesse cenário, o Ministério da Saúde (MS) afirma que 52% da população está com sobrepeso, dos quais 18,9% estão em morbidade. Desse modo, é preciso entender que essa doença existe e que esse grupo deve ter suas necessidades atendidas, pois não existem leis específicas que obriguem restaurantes a disponibilizar cadeiras especiais para clientes obesos, ou companhias aéreas de oferecerem um assento adequado. Contudo, empresas de aviação cobram duas passagens, o que é inadmissível e vexatório. Ademais, a sociedade usa a taxação como ferramenta de discriminação, uma vez que associam a obesidade à preguiça ou desleixo, um absurdo, haja visto que inúmeros fatores distintos levem ao ganho de peso. Decerto, essa realidade dá voz ao preconceito e impede a qualidade de vida e a integração social.

Outrossim, cabe ressaltar que uma análise dos hábitos alimentares faz-se imprescindível no tocante à uma boa saúde. Sabe-se que os Estados Unidos, por ser uma potência econômica, exporta um estilo de vida para os países em sua zona de comércio. Com isso, os ‘‘fast foods’’ ganham progressivamente mais espaço, oferecendo alimentos rápidos e calóricos com o objetivo de minimizar o tempo durante as refeições. Isso pode realmente otimizar o tempo, embora não seja uma escolha muito inteligente. Essa realidade se aplica ao conceito da Modernidade Líquida sintetizada por Zygmund Bauman. De acordo com o sociólogo, as relações humanas e a sua temporalidade tenderiam ao automático, buscando sempre caminhos rápidos. Logo, a conscientização é necessária.

Entende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas. Destarte, o Poder Legislativo, em parceria com o MS, deverá criar leis específicas que obriguem empresas que prestam serviços a atenderem às necessidades de pessoas obesas, garantindo respeito e dignidade. Para tal, deverão aplicar multas e indenizações aos envolvidos. Dessa forma, a pluralidade será respeitada e o preconceito combatido. Além disso, o MEC deverá alterar o Currículo Comum, adicionando, desde o ensino infantil, disciplina que ensine práticas de alimentação saudável, assim a consciência acerca do assunto será realidade.