Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 30/08/2020
Para Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano, o corpo social contemporâneo é caracterizado pela homogeneização dos indivíduos e pela exclusão dos diferentes. É, nesse contexto de discriminação, que se observam as dificuldades para enfrentar a obesidade e o sobrepeso no Brasil. Tais problemáticas parecem reflexo da inconsciência coletiva quanto aos impactos de seus maus hábitos alimentares, principalmente entre os jovens, bem como da baixa representatividade dos obesos nas mídias. Essa conjuntura amplia a discriminação e as doenças crônicas no país.
Diante disso, é indubitável que a escassez de diálogo sobre a importância de comportamentos mais saudáveis, nas escolas, esteja entre as causa dessa preocupante realidade. Segundo Anísio Teixeira, intelectual brasileiro, a escola é responsável pela mudança de atitudes. Nessa perspectiva, a falta de orientação social, especialmente da juventude, quanto a importância da adoção de hábitos de vida saudáveis, como a alimentação equilibrada com redução do consumo de produtos processados, a exemplo de salgadinhos, nas instituições de ensino, contribui para inconsciência social dos impactos de tais ações. Como Resultado tem-se a elevação do índice de excesso de peso no país, o qual está associado ao aumento das comorbidades crônicas, como a diabetes e a hipertensão, segundo a Vigitel.
Esse quadro é agravado pela reduzida representatividade das pessoas obesas nas mídias. De acordo com Pierre Bourdieu, filósofo francês, a televisão torna-se mecanismo de opressão simbólica ao perpetuar atitudes preconceituosas presentes na sociedade. Nesse cenário, a rara utilização de atores com excesso de peso nos programas televisivos amplia o seu alijamento social, uma vez que incentiva o processo de homogeneização dos indivíduos criticado por Byung. Esse fenômeno pode levar à depressão e à desistência, por parte dos obesos, para adotarem hábitos mais saudáveis, devido à discriminação e ao pré-julgamento da sociedade sobre sua “incapacidade” de ajustar-se no corpo social.
Dessa forma, urge que o Estado brasileiro tome medidas diligentes que mitiguem a obesidade e o seu preconceito no país. Destarte, o Ministério da Educação e o da Saúde devem elevar os espaços de diálogo sobre os hábitos de vida saudáveis nas escolas, por meio de rodas de conversas e de oficinas com profissionais de saúde que demonstrem os alimentos que devem ser evitados e que incentivem a prática de atividade física, a fim de reduzir o excesso de peso na população. Por fim, a sociedade civil organizada deve, mediante campanhas publicitárias nas redes sociais, cobrar mais representatividade televisiva dos obesos para combater a sua exclusão.