Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 05/09/2020

A série canadense “Anne with an E”, exibida pela Netflix, retrata a vida de uma garota adotada por volta dos ano 1890. Durante a trama, percebe-se que a protagonista era rejeitada pelas crianças por não se encaixar no padrão estético vigente: o sobrepeso. Contudo, mais de um século após esse período, os valores de beleza se inverteram completamente, tornando o emagrecimento o modelo valorizado. Porém, a rejeição e o preconceito foram características que se mantiveram na sociedade atual e, contraditoriamente, no Brasil, a taxa de obesidade cresceu de forma acentuada. Portanto, vê-se que a intolerância ao sobrepeso não é o caminho ideal para buscar a saúde populacional.

Em primeiro plano ganha particular relevância os malefícios do preconceito à obesidade. De acordo com uma matéria do jornal Estadão, normalmente se leva em consideração apenas o IMC do  indivíduo para classificá-lo como obeso, o que é um erro, visto que é necessário analisar diversos outros fatores para constatar a qualidade da saúde. Dessa forma, pode-se analisar que o “padrão de beleza” imposto pela sociedade gera rejeição ao sobrepeso de forma equivocada, o que pode acarrear em problemas reais aos indivíduos. Assim, por serem mal vistas no meio social, as pessoas obesas podem adquirir problemas psicológicos que, consequentemente irão afetar a saúde delas. Portanto, generalizar a obesidade como um problema é ir contra a saúde da população, o que torna vital banir essa prenoção.

Em segundo plano, cabe ressaltar a importância de se compreender, desde a infância, o caminho ideal de valorização da saúde. Para Henri Lacordaire, religioso francês, a sociedade é o desenvolvimento da família. Dessa forma, pode-se compreender que é de extrema importância que  as crianças sejam educadas de forma à compreender que não há problema em ser mais ou menos pesado(as) que as outras, e sim, que é importante ser saudável. Também, sob o prisma do crescimento da obesidade no Brasil, é notório que uma parcela dessas pessoas está com a saúde afetada. Porém, se houvesse a educação ideal desde a jovialidade, o indicie de pessoas menos saudáveis seria menor, e aquelas pré-dispostas à obesidade natural(saudável) não iriam sofrer rejeição maléfica à saúde. Então, rejeitar o sobrepeso é uma forma de piorar a situação brasileira e não contribuir para a saúde.

Portanto, diante desse cenário, é necessária uma ação que, ciente do indicie de obesidade no Brasil e os problemas do preconceito sob essa população, busque minimizar esse quadro. Cabe ao Ministério da Cidadania, juntamente ao MEC,  a tarefa de introduzir métodos de educação alimentar e anti-gordofobia nas escolas e nas famílias. Assim, o MEC deve adicionar matérias voltadas à esse tema no ensino fundamental e o MDS deve usar o CRAS para dar apoio às famílias no novo processo educacional. Sob esse viés, espera-se que a saúde brasileira melhore e o preconceito seja extinto.