Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 12/09/2020

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afeções e enfermidades”. Nessa perspectiva, o sobrepeso e a obesidade são problemáticas presentes no Brasil contemporâneo por provocar prejuízo ao indivíduo, no comprometimento e bom funcionamento de órgãos e no desenvolvimento de distúrbios ligados à autoestima. Diante disso, a cultura ocidental da má alimentação em conjunto com o padrão corporal perfeito imposto pela sociedade, são fatores que explicam a perpetuação desse mal.

Com efeito, os danos físicos causados possuem consequências catastróficas para o modo de vida de um cidadão, pois acarreta problemas como a hipertensão arterial, diabetes e infarto do miocárdio. Sob essa óptica, no documentário “What The Health”, diversos médicos abordam a forte conexão entre a dieta de comida rápida ocidental e a saúde instável dos que a aderem, afirmando que tal estilo de vida está afetando cerca de 70% das mortes. Nesse contexto, a obesidade está vinculada principalmente ao consumo exagerado de gordura, presente tanto nos “fast foods” quanto na mesa da família brasileira, que aderiu, ao longo dos anos, tal estilo americano por ser mais prático para o cotidiano intenso do século XXI.

É conveniente destacar que os efeitos psicológicos também exercem grande impacto na vida de obesos que, constantemente, são alvos de “bullying” por estarem fora do padrão exigido, dando espaço para o desenvolvimento de doenças psíquicas como ansiedade e depressão. Sob esse viés, o filme “Sierra Burgess É Uma Loser” narra a história de uma adolescente fora dos moldes estéticos considerados normais que não se importa com sua aparência até receber uma mensagem de um garoto por engano. Gorda, opta por fingir ser outra pessoa para conseguir a atenção do rapaz. Assim, a idealização de seres humanos perfeitos construída por uma sociedade imperfeita e alimentada pela mídia, formadora de opinião, contribui para a dificuldade de aceitação social de indivíduos diferentes.

Portanto, é preciso que haja medidas para a reabilitação de valores alimentícios e sociais. É fundamental, por parte do Ministério da Saúde, a elaboração e a promoção de campanhas de conscientização e incentivo à alimentação saudável por meio de veículos de comunicação e palestras conduzidas por profissionais da saúde em escolas, em faculdades e em espaços públicos, com o objetivo de reeducar nutricionalmente a população brasileira. Também se faz necessário, por parte da mídia, uma reformulação dos conceitos idealizados há décadas impostos, para que cidadãos se sintam confortáveis com o seu próprio corpo e, assim, cumpram com a definição de saúde plenamente apresentada pela OMS.