Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 14/09/2020

A obesidade é um desafio global. Segundo dados do Ministério da Saúde de 2018, metade dos brasileiros está acima do peso e 20% dos adultos estão obesos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) a obesidade é um agravo de caráter multifatorial decorrente de balanço energético positivo que favorece o acúmulo anormal ou excessivo de gordura corporal, associado a um estilo de vida sedentário. Essa conjuntura leva ao surgimento de doenças crônicas como diabetes e hipertensão arterial e impacta negativamente na qualidade de vida do indivíduo. Dessa forma, é imprescindível remediar tal problemática.

Com o advento da vida moderna e as mudanças no padrão alimentar da população, a obesidade vem surgindo como uma epidemia mundial. A todo momento somos bombardeados pelas facilidades do “fast food” e ao prazer que esse tipo de comida proporciona. As prateleiras estão cada vez mais recheadas de alimentos ricos em calorias, porém pobres em nutrientes, associando a ideia de felicidade ao prazer momentâneo proporcionado por esse tipo de refeição. Consequentemente, doenças como a diabetes e a hipertensão arterial tornam-se cada vez mais comuns, levando ao aumento da morbimortalidade da população por doenças crônicas preveníveis.

Um corpo obeso impacta negativamente na qualidade de vida do indivíduo. Os maiores problemas encontrados estão relacionados a distúrbios emocionais e psicológicos, associados ao preconceito e à discriminação no trabalho, sociedade e nos relacionamentos interpessoais. Uma vez que há o agravamento dessas situações, o isolamento social torna-se mais significativo, provocado pela sensação de inadequação perante os padrões sociais vigentes, tendendo ao estresse, à depressão e ao deterioramento da capacidade funcional.

Portanto, a obesidade constitui um problema de saúde pública com graves consequências no processo de saúde-doença da população. Sendo assim, é necessário a inserção da educação alimentar no ensino primário com a formação de profissionais educadores no assunto, oferta de informações relevantes à família e mudança nos cardápios escolares. Somado a isso, é preciso que as secretarias municipais e estaduais da saúde melhorarem o acesso das pessoas obesas aos serviços de saúde, através da criação dos centros de referência para obesidade com o acolhimento da demanda espontânea. Tais medidas, visão tornar os sujeitos autônomos e seguros em suas escolhas alimentares desde a infância e permitir o acesso integral, resolutivo, equânime e de qualidade aos serviços de saúde à pessoa obesa. Assim, a prevenção e o cuidado é o melhor caminho para manter a saúde e evitar doenças atuais e futuras