Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 16/09/2020

Em um dos episódios do seriado “Morden Family”, Jay adquire sobrepeso, visto que ele contraria as orientações dietéticas prescritas por seu médico. De maneira similar, a postura errônea do personagem citado em nada difere da real situação do Brasil, pois a banalização comportamental do indivíduo, bem como o consumismo são aspectos intensificadores da obesidade. Logo, reavaliar o comportamento social torna-se dever de cada brasileiro, a fim de que a adoção de práticas saudáveis seja uma alternativa ao problema.

Sob esse viés, a permanência da obesidade se mantém associada à cultura de massa e à ação antrópica consumista. Em face disso, a Teoria da Seringa Hipodérmica, desenvolvida na Segunda Guerra para explicar os efeitos das propagandas nos indivíduos, consta que a mídia tem o poder de injetar informações e moldar comportamentos sociais. Por esse prisma, semelhante conduta abusiva sobre a população ainda se manifesta contemporaneamente, sobretudo, ao avaliar as práticas midiáticas brasileiras, com fins fundamentalmente lucrativos e comerciais. Destarte, fica nítido que os anúncios voltados à venda de alimentos devem ser avaliados e limitados, uma vez que essas propagandas influenciam os membros da sociedade.

Ademais, o persistente descaso com hábitos alimentares saudáveis e exercícios físicos evidencia a hegemonia de um corpo social moldado no sedentarismo, o que reforça comportamentos negligentes. Nessa perspectiva, o escritor estadunidense Mark Kennedy afirma que as invenções tecnológicas possuem um viés facilitador, entretanto conduzem o sujeito à preguiça. Sob tal ótica, fica explícito que o declínio das atividades físicas está associado ao comportamento cotidiano decorrente dos confortos da contemporaneidade. Em verdade, é notório que assegurar a mudança de hábitos entre os indivíduos da sociedade é um caminho inebriante para combater a obesidade.

É necessário, portanto, que os atores sociais trabalhem juntos frente à incidência da obesidade. Para tanto, o Ministério da Educação e a Família devem viabilizar e fortalecer a difusão da ética acerca daquela implicatura, pois desconstruir o sedentarismo e o consumismo exacerbado nesses ambientes é preservar a saúde e assegurar a integridade física, mental e moral dos indivíduos. Além disso, tal empreitada intersocial será executada por intermédio de um ciclo de ações engajadas, a exemplo de atividades físicas regulares e reeducação alimentar, que incutam o sentimento de bem-estar no trato social. Por fim, objetiva-se distanciar a realidade brasileira do seriado “Morden Family”.