Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 18/09/2020

Durante os últimos séculos, a partir das Revoluções industriais e a consequente modernização da estrutura produtiva, o processo de fabricação alimentícia mudou e forma de consumo também. Nesse sentido, é possível perceber que a qualidade dos produtos já não é mais a mesma, uma vez que há grande utilização de agrotóxicos, conservantes e fertilizantes, os quais garantem maior rendimento na produção. Entretanto, o uso dessas substâncias e a influência de fatores externos, como a mídia, contribuem para o aumento dos casos de obesidade e doenças crônicas, além de levar esse grupo à exclusão social e o preconceito. Dessa forma, torna-se fundamental a discussão desses aspectos.

Convém ressaltar, a princípio, o consumo de industrializados e seus impactos sobre a saúde. Quanto a esse fator, é válido destacar que cada vez mais o homem busca pela praticidade no dia a dia, e com a alimentação não é diferente. Em razão disso, por demandar menor tempo e ser mais barato, a preferência por enlatados e “fast foods” é maior. No entanto, a alta ingestão desses alimentos é responsável por desencadear uma série de patologias, como a hipertensão e diabetes, além do sobrepeso, que acomete mais de 50% dos brasileiros. Ademais, é importante evidenciar que a indústria de propagandas tem grande influência sob o aumento do índice de obesidade no país - quase 20%, segundo o Ministério da Saúde - visto que utiliza imagens apelativas para persuadir o consumidor.

Para mais, é preciso compreender que esse problema não se restringe somente à área da saúde, dado que diariamente o grupo em questão lida com as dificuldades de inclusão social. Isso porque há falta de políticas públicas que atendam às necessidades dos obesos nas mais variadas atividades do cotidiano, desde o transporte público, até a ida a uma restaurante qualquer, que não possui um assento adequando. Além do mais, os olhares de julgamento e comentários maudosos de preconceito podem contribuir para a piora do quadro clínico do indivíduo e levar à automedicação, depressão e, no pior dos casos, ao suicídio. Segundo o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, quase todos os brasileiros já praticaram ou presenciaram um ato gordofóbico.

É evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para reverter o quadro. Desse modo, o Ministério da Saúde deve criar um programa nacional de acompanhamento médico aos obesos, em todos os estados, que, com o apoio de profissionais da área de nutrição, realizem o monitoramento desses indivíduos, a fim de auxiliá-los na mudança de comportamento para hábitos mais saudáveis. Além disso, o Governo deve aprovar uma lei que torne obrigatória a disponibilidade de assentos maiores em todos os estabelecimentos públicos, para garantir acessibilidade a esse grupo e diminuir os níveis de exclusão. Assim, o problema será atenuado.