Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 27/09/2020

O livro da Naomi Wolf “Mito da beleza”, relata como a sociedade contemporânea demoniza a gordura. No entanto, o debate a respeito do preconceito e o sobre peso é de extrema relevância, em razão do descaso do Estado em relação a pessoas gordas, mas também a globalização como agente causador no aumento de peso na sociedade atual.

Primeiramente, é imperioso demonstrar a dificuldade do gordo nos locais públicos, como por exemplo, hospitais com macas que aguentam até cento e vinte quilos. Acerca disso, é pertinente citar o pensador Paulo Autran, todo preconceito é fruto da ignorância humana. Desse modo, a referência de peso estabelecida na Europa no século dezenove – IMC -, na qual os indivíduos que excederem o número especificado são considerados doentes. À vista disso, o estereótipo criado pelos órgãos de saúde mundiais estão ultrapassados pois, magreza ainda é sinônimo de higidez fomentando diversos casos velados ou não de gordofobia pelo mundo.

Sob outro prisma, a mundialização e a revolução industrial deixaram os homens mais sedentários. Os “deliverys” de comida que somente com um clique o sujeito moderno come o que quiser e também o trabalho que era braçal foi rapidamente substituído por um computador. Deste modo, de acordo com os dados da OPAS – Organização Pan-Americana de Saúde – no ano de 2015 a doença que mais matou foram as cardiovasculares, por causa de dietas inadequadas e sedentarismo. Logo constata-se, que conforme afirma a biologia essas doenças são ocasionadas pelo excesso de lipídeos na corrente sanguínea e podem afetar o ser humano independente do peso.

Portanto, destaca-se, assim, a falta de preparo do Estado, no que tange os corpos grandes em lugares populares e a ausência de informações sobre dietas corretas. Dessarte, cabe ao poder público por meio do Ministério da Saúde, criar políticas e pautas públicas para a inserção mais facilitada de indivíduos gordos em locais como avião, ônibus e hospitais, e também juntamente com o Ministério da Comunicação mostrar dietas balanceadas nos canais de conversação em massa. Essa proposta tem por finalidade, ainda que minimamente, a garantia de acesso em todos os locais para qualquer tipo de corpo e a diminuição de mortes por falta de informaões sobre alimentação extremamente calórica e, em alguma medida, tais ações possam melhorar a qualidade de vida da população brasileira hodierna.