Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 19/09/2020
Em ‘‘O Auto da Barca do Inferno" Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI de mostra as mesmas conotações no que se refere ao preconceito em relação a obesidade e ao sobrepeso. Nesse contexto torna-se evidente a falta de empatia e as questões socioculturais.
Em primeira análise, a falta de empatia mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do preconceito com relação a obesidade e ao sobrepeso é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua resolução ainda mais complexa.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a falta de empatia. Na obra “Modernidade Líquida” Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada na realidade atual quando analisada as relações entre empregador e empregado durante o período de contratações onde muitas vezes as pessoas que estão acima do peso são colocadas como segundo plano.
Por tudo isso, faz-se necessário uma intervenção pontual no problema. Logo, é necessário que prefeituras em parceria com governos estaduais, proporcionem a criação de oficinas educativas a serem desenvolvidas em colégios. Tais eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas de modo a proporcionarem a visualização do problema, além de palestras de sociólogos que orientem a respeito do tema para jovens e familiares.