Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 23/09/2020
O documentário ‘‘Quilos Mortais’’ retrata a vida de pessoas em situação de sobrepeso. Nesse contexto, o brasil convive hoje com a persistência da obesidade no cotidiano brasileiro como um obstáculo a ser superado. Diante disso, é preciso discutir a rotina da má alimentação, por vezes associada à desigualdade social, bem como o preconceito sofrido por essa parte da população.
Em primeiro plano, é importante salientar o exacerbado consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil. Segundo o Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública a vulnerabilidade da população economicamente desfavorável à publicidade de alimentos não saudáveis intensifica o processo da má nutrição e, consequentemente, da obesidade. Assim, devido à falta de uma educação alimentar, a qual possa trazer conhecimento acerca dos benefícios de práticas saudáveis, como também de recursos financeiros para manter uma dieta salutar, visto que, muitas vezes, alimentos industrializados são mais baratos que os benéficos à saúde, os índices de sobrepeso aumentam e a sociedade fica mais propensa a desenvolver doenças como diabetes e hipertensão.
Em segundo plano, cabe mencionar o extremo preconceito sofrido por esses indivíduos. Isso ocorre devido à construção de estereótipos criados pela própria consciência coletiva, como afirma Pierre Bordieu, em sua teoria ‘‘Habitatus’’, as pessoas incorporam padrões impostos e os reproduzem ao longo do tempo. Certamente, com a chegada da ‘‘Indústria da magreza’’, a sociedade passou a associar a ideia de ser magro à aceitação social e à beleza. Dessa forma, é comum o constrangimento sofrido por esses cidadãos, os quais convivem, muitas vezes, com o sentimento de reclusão e exclusão social.
Portanto, medidas são necessárias para a resolução dessa problemática. Por isso, com vistas a diminuir o consumo de alimentos calóricos, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, inserir em todas as redes de ensino programas nutricionais em cantinas e lanchonetes -haja vista ser mais fácil educar do que reeducar- por meio da integração de uma dieta mais saudável à rotina das crianças e jovens. Além disso, o Ministério da Saúde, em conjunto com médicos e nutricionistas, deve promover ações, por meio de investimentos, as quais englobem visitas e ajuda nutricional em regiões mais vulneráveis socialmente, a fim de levar conhecimento e estimular hábitos mais saudáveis. Ainda, aos veículos comunicativos - devido ao alto poder persuasivo- cabem, por meio de comerciais e campanhas, combaterem valores preconceituosos e a visão errônea que associa obesidade à preguiça, com o fito de construir respeito e um corpo social mais empático. Desse modo, a realidade brasileira distanciar-se-á de documentários como ‘‘Quilos mortais’’.