Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 05/10/2020
Na idade média, um corpo mais ‘‘rechonchudo’’ era extremamente valorizado, pois era sinônimo de fartura e prosperidade. Contudo, atualmente, por influência da mídia, o corpo mais desejado é um corpo mais atlético e esguio, o que cria um estereótipo que, por diversas vezes, marginaliza socialmente as pessoas com um corpo diferente do padrão. Dessa maneira, apesar de a mídia tentar estimular as pessoas a terem um corpo mais saudável ela indiretamente influencia o preconceito contra os indivíduos fora do molde, principalmente as pessoas com obesidade ou sobrepeso, prejudicando sua saúde física e mental.
Em primeiro lugar, é importante salientar o papel da indústria midiática como a principal causa da discriminação de pessoas com o corpo ‘‘fora de moda’’. De fato, segundo o conceito filosófico da Escola de Frankfurd, isso ocorre devido à indústria cultural, que cria personagens e moldes que estimulam as pessoas a ‘’entrar na moda’’ ,e com isso a mídia lucra com a venda de produtos para tal fim. Entretanto, há também a exclusão dos gordos , visto que os protagonistas são sempre atléticos e musculosos. Dessa maneira, a mídia, objetivando o aumento dos lucros, cria essa nova moda que, diferente da idade média, não valoriza as pessoas com maior quantidade de gordura corporal, gerando um preconceito contra essas pessoas e forçando-as a entrarem nos padrões impostos pela mídia.
Por conseguinte, a discriminação contra tal grupo estimula sua marginalização social e, consequentemente, afeta sua saúde. Por esse ângulo, essa situação se enquadra na ideia de ‘’estigma social’’ que, de acordo com o sociólogo Erwin Goffman, os indivíduos fora do padrão são, geralmente, excluídos socialmente, o que produz pressão e estresse sobre esse grupo para se adequar ao padrão. Logo, conforme abordado no livro ‘‘Sociedade do Cansaço’’, a pressão da sociedade moderna sobre os indivíduos é a principal causadora de traumas psicológicas, como depressão e ansiedade. Assim, é evidente que a influência da mídia gera o preconceito contra os gordos e, por conseguinte, afeta sua saúde física e mentalmente.
Portanto, diante de tal contexto, para evitar a gordofobia e a marginalização dessas minoria da sociedade, bem como impedir danos na sua saúde, é dever do Poder Legislativo impedir que a mídia exclua grupos de pessoas com diferentes etnias, corpos, estilos, e religiões de seus vários meios de entretenimento. Tal ação deve ser feita por meio da criação de uma lei, que exija a participação diversificada dos personagens, impedindo a criação de estereótipos, como impedir a utilização de protagonistas sempre lindos e fortes. Dessa forma, será possível extinguir os preconceitos, sem exigir que todos sejam iguais, impedindo que tal grupo seja excluído na sociedade.