Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 02/10/2020
Desde o “Século das luzes”, ocorrido durante o século XVIII, na Europa Ocidental, teóricos da época pregavam que uma sociedade só progride quando seus cidadãos se mobilizam com o objetivo de solucionar conflitos do corpo social. Não obstante, verifica-se que o estorvo resultante do sobrepeso e da obesidade vai de encontro aos ideais iluministas, uma vez que estes prezam pelo desenvolvimento social tendo como pilar o bem-estar, eliminando práticas maléficas à saúde mental e física da sociedade. Dessarte, esta realidade deve-se, essencialmente, à negligência Estatal e ao silenciamento social.
Em primeiro plano, a Constituição Federal de 1988, concebida no processo de redemocratização, prevê, como garantia fundamental, o direito à saúde e que ninguém sofrerá qualquer tipo de descriminação em função de suas características físicas ou sociais. Contudo, o próprio Poder Estatal, pela falta de políticas públicas, agride a legislação. Isso, porque o Ministério da Saúde e da Cidadania, não promovem, de maneira efetiva, a ruptura da gordofobia, além da conscientização acerca dos malefícios resultantes do sobrepeso. Logo, percebe- se que essa negligência governamental representa uma das causas do problema.
Cabe mencionar, em segundo plano, que a problemática encontra terra fértil na falta de consciência e no silenciamento social. Diante disso, o filme “Um grito de socorro” ilustra bem o que foi dito. Consoante a isso, o protagonista do filme sofre diariamente com o sobrepeso na saúde e, principalmente, no convívio escolar, de modo que o bullying sofrido não seja combatido por conta da ineficácia na atuação da educação e da família para combater o óbice em questão. Fora das telas, a ficção pode ser relacionada ao Brasil no século XXI, de modo que o filme retrata de forma fidedigna como o silenciamento social contribui com a persistência do imbróglio. Desse modo, percebe-se que a mídia retrata a causa da questão abordada.
Isto posto, é inegável a necessidade de intervenção no que tange à problemática. Para tanto, o Governo federal, aliado ao Ministério da Cidadania, por meio de verbas governamentais, devem levar palestras pelo Brasil, alertando a população acerca das malignidades resultantes do sobrepeso na saúde, além dos prejuízos da aversão à gordura na construção de uma sociedade próspera, de modo que ocorra a massificação do termo na coletividade, por intermédio de propagandas acerca do tema. Ademais, a mídia deve promover, em níveis mundiais, palestras educacionais por meio do ambiente virtual, os cursos deverão ocorrer gratuitamente com profissionais capacitados, a finalidade de tal efeito encontra-se em diminuir o número de casos e proporcionar uma consciência coletiva.