Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 04/10/2020
No período denominado de “Pré-história”, as mulheres gordas simbolizavam fertilidade e os homens gordos, força física. No entanto, trazendo para o contexto da atual civilização, o sofrimento de indivíduos obesos ou com sobrepeso se encontra na conjuntura de deficiências nacionais. Logo, é imprescindível evidenciar que o excesso de peso acarreta consequências físicas e emocionais a quem se encontra nessa condição.
Primeiramente, é cabível ressaltar que, ao não cumprir o padrão de beleza da magreza, o indivíduo sofre preconceito e, por isso, desenvolve transtornos emocionais. Sob tal perspectiva, o sociólogo Zygmund Bauman afirma que a liquidez nas relações econômicas, sociais e políticas é característica do século XXI. De maneira análoga, tal crítica ocorre na realidade, haja vista que por não possuírem um corpo magro e esbelto - altamente idealizado pela sociedade-, pessoas com excesso de peso são excluídas de ciclos sociais, têm dificuldade de conseguir empregos e relacionamentos. Sendo assim, em uma cidadania onde a condição física de uma pessoa vale mais que seu desenvolvimento pessoal e profissional, a ausência de solidez é evidenciada e os problemas psíquicos acentuados.
Ademais, é necessário salientar que as empresas de fast-food contribuem para o aumento da obesidade e sobre peso, e consequentemente, os empecilhos físicos dessa condição. Sob tal ótica, os sociólogos Adorno e Hokheimer descrevem sobre “Indústria Cultural”, que, ao utilizar os meios de comunicação em massa, as empresas disseminam padrões de consumo. Semelhantemente, tal conceito ocorre nos comerciantes de fast-food, uma vez que suas lógicas capitalistas promovem a sensação de pseudo-felicidade e despertam desejos compulsórios em seus consumidores. Dessa forma, o indivíduo naturaliza tal padrão e, posteriormente, deseja reproduzir, acentuando as doenças cardiovasculares, diabetes e câncer que acompanham o excesso de peso.
Portanto, medidas são necessárias para amenização dos impasses da obesidade e sobre peso. Cabe ao Ministério da Saúde, com o apoio de profissionais especializados, desenvolver ações que revertam os prejuízos psicológicos dos indivíduos obesos e com sobrepeso, como palestras e oficinas educativas, com o intuito de amenizar os impactos emocionais na vida dessas pessoas. Além disso, a mídia, no seu papel social de influenciadora, devem contribuir para a questão da obesidade, por meio de propagandas e anúncios, na internet e na televisão, que visem a disseminação de padrões saudáveis de consumo, com o fito de minimizar as consequências negativas da saúde física. Assim, a sociedade poderá encontrar um equilíbrio no que abrange sua saúde.