Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 13/10/2020

Após o século XVIII, o campo a partir da incorporação das máquinas agrícolas na produção de alimentos, teve sua produção aumentada utilizando um menor espaço em um menor período de tempo, esse processo ficou conhecido como “Revolução Verde” que derrubou a Teoria Malthusiana. Paralelo a isso, as relações sociais e os hábitos alimentares também mudaram, e junto a eles, a problemática da obesidade e a face do preconceito em relação aos grupos obesogênicos urge no Brasil. Dessa forma, torna-se necessário analisar as raízes do impasse e suas consequências.

Em primeiro lugar, é preciso observar a questão de maneira pragmática. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada três crianças está acima do peso no Brasil. Seguindo essa linha de pensando, nota-se que o comportamento obeso é um problema infantil, haja vista que é na infância onde a maioria dos hábitos são construídos e, posteriormente, imitados na vida adulta. Outrossim, é na fase escolar que as crianças começam a se relacionar e muitas vezes, as crianças gordas, são ridicularizadas com piadas e internalizam o sentimento de vergonha, incapacidade e insuficiência.

Ademais, os sentimentos internalizados na infância são vivenciados na vida adulta. O psicólogo Lev Vygotsky diz que a desigualdade na voz condena pessoas, grupos e até países à inexistência. Sob tal ótica, o culto à magreza e a errônea ideia de que ser magro é o ideal e o saudável, viabiliza que pessoas gordas não encontrem roupas em lojas e impossibilita a realização de atividades diárias simples como passar pela catraca do ônibus. Desse modo, a gordofobia não se limita apenas as piadas, na vida adulta, pessoas gordas são humilhadas e excluídas do convívio social.

Logo, é evidente que a gordofobia é um problema social que tem suas raízes na infância e inviabiliza uma vida adulta digna. Por isso, para combater a obesidade e o preconceito com pessoas gordas é preciso que o Governo, na figura do Ministério da Educação, em parceria com a Secretaria de Saúde, contrate nutricionistas para as cantinas das escolas a fim de que esses profissionais desenvolvam uma dieta saudável para as crianças, além de promover palestras com o intuito de incentivar uma alimentação saudável e não o emagrecimento. Ademais, a mídia, através dos veículos de comunicação, deve promover a normalização do corpo gordo a fim de desvincular a imagem desse à algo vergonhoso e não saudável, para que deixem de ser inexistentes aos olhos da indústria da moda. Dessa forma, as mudanças de pensamento social e a dignidade de pessoas gordas será possível a longo prazo.