Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 08/10/2020

Na obra “A República”, de Platão, o filósofo grego idealiza a primeira concepção de sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, fora da ficção, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto o que o escrito prega, uma vez que o preconceito e a desinformação a respeito da obesidade e do sobrepeso no Brasil, apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos do autor. Diante disso, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: negligência do governo e falta de conhecimento.

Convém ressaltar, a princípio, que a negligência governamental é um fator determinante para a persistência do problema. Nesse sentido, o filosofo Jean-Jacques Rousseau, em sua teoria do contrato social, afirmou que é necessário um poder político legitimo, efetivamente comprometido com o bem-estar coletivo. No entanto, é evidente o rompimento desse contrato quanto à obesidade e o sobrepeso, visto que não existe uma propagação de informações sobre os sérios riscos que a obesidade e o sobrepeso podem acarretar na vida das pessoas, o que torna, tristemente, um ambiente propício à exclusão. Assim, é notória a ineficácia estatal na promoção de conhecimento e assistência adequada, por consequência as pessoas acima do peso são desestimuladas a prática de uma vida mais saudável.

Outrossim, a falta de conhecimento sobre a obesidade contribui para o preconceito. Sob essa ótica, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso explica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação correta sobre o tema, sua visão será limitada, o que dificulta sua erradicação. Dessa forma, o primeiro passo é reconhecê-la como doença crônica, com fortes componentes genético e ambiental, e não consequência exclusiva de maus hábitos ou questão estética. Nota-se, então, a imprescindibilidade de políticas públicas que contenham a problemática.

Portanto, urge que o Governo Federal em parcerias com as prefeituras, desenvolvam “workshops”, nas comunidades, sobre a importância do enfrentamento da discriminação sofrida por pessoas acima do peso, a fim de despertar a sensibilidade e desconstruir os estigmas sociais. Tais atividades devem ser aberta à comunidade e incluir, juntamente com profissionais da saúde, atividades físicas, como dinâmicas e dramatizações, com o objetivo de tratar o tema de forma lúdica, para que à busca pela informação e práticas saudáveis estejam presente na sociedade. Dessa forma, o Brasil, se aproximará do bem-estar social, e a coletividade alcançará a essência da Republica de Platão.