Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 01/01/2021

Até o final do século XV, devido à escassez de comida no mundo, os corpos gordos eram admirados e considerados saudáveis, enquanto as pessoas magras eram classificadas como doentes. Diante da evolução na medicina, os ideais mudaram e o preconceito trocou de lado, hoje as pessoas obesas são consideras doentes e sofrem discriminação. Diante disso, a falta de ações de saúde pública para combater a obesidade e o sobrepeso no Brasil, fomentam o preconceito e a desinformação.

Primeiramente, a cada quatro cidadãos um é obeso no Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Diante disso, a negligência do Sistema Único de Saúde em disponibilizar o tratamento clínico para as pessoas na fase do sobrepeso contribui para o crescimento da obesidade no país. Assim, a falta de políticas públicas para frear o avanço da doença favorece o surgimento de novas enfermidades, como a hipertensão, pois segundo a Organização Mundial da Saúde, o excesso de gordura corporal está relacionado com o aparecimento de patologias cardiovasculares, o que agrava ainda mais o descaso com a saúde na nação.

Ademais, a discriminação sofrida pelas pessoas gordas já é algo estrutural no Brasil, visto que a maioria dos locais públicos não são adaptadados para esses usuários ou sequer oferecem, por exemplo, cadeiras preferenciais. Como é caso das macas em hospitais, que suportam até 120kg, e os assentos em aviões, onde a pessoa precisa pagar por dois lugares e, ainda assim, não tem muito conforto devido a proximidade da fileira dianteira. Além disso, observa-se que falta da criminalização da gordofobia contribui para a manutenção da violência simbólica - como defende o sociólogo francês Pierre Bourdieu, a agressão não se limita a ser física, pode ser falada e praticada pela sociedade através do constrangimento, como em aeronaves.

Portanto, com o objetivo de oferecer melhores condições de saúde à população com sobrepeso, é dever do Ministério da Saúde investir na saúde básica dessas pessoas. Isso pode ser realizado através da criação de pontos de apoio, onde a população poderá receber atendimento clínico por uma junta formada de médicos, psicólogos e nutricionistas, a evitar assim, o agravamento da condição para obesidade futura. Adicionalmente, é dever do governo federal criminalizar a gordofobia no país, por meio da criação de leis punitivas, contra pessoas e estabelecimentos que restringem o livre acesso dos gordos. Reduzindo assim, o preconceito e o constrangimento vivido por esses brasileiros.