Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 06/11/2020

A obra “Homem Vitruviano”, do renascentista Leonardo da Vinci, retrata como o corpo humano é idealizado, desde os tempos remotos. A perpetuação desse comportamento, no entanto, mostra-se nociva para a população, uma vez que, pressiona o indivíduo a se encaixar no padrão de beleza inatingível. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave obstáculo social o qual é perpetuado não só pela propagação midiática dos estereótipos, mas também pela falta de cuidado com a saúde.

Em primeira análise, vale ressaltar que a ascensão dos influenciadores digitais fomentou o culto ao corpo magro, induzindo pessoas a se sentirem mal por não possuírem tais características. De acordo com a “Teoria do Habitus”, esboçada por Pierre Bourdieu, “ a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos, por exemplo, uma pesquisa realizada pelo Instituto de Saúde Pública do Reino Unido, afirma que 70%das pessoas se sentem afetadas, negativamente, pelas redes sociais. Por isso, nota-se que o preconceito tem agravado o problema da obesidade no Brasil, visto que a vítima é afetada por muitos comentários maldosos a respeito de sua aparência física.

Em segunda análise, é importante salientar que os fatores socioeconômicos influenciam no hábito alimentar. Conforme dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o sobrepeso atinge em torno de 61,7% dos adultos brasileiros, dos quais apenas 25% não apresentam problemas de saúde. Desse modo, verifica-se a falta de cuidado com a saúde, devido a não prática de exercícios físicos, a preferência por comida industrializada, a ausência de alimentos saudáveis na rotina alimentar , são as principais causas da obesidade, assim como, os transtornos psicológicos que afetam o bem-estar do cidadão. Logo, observa-se um quadro preocupante que necessita de soluções efetivas, para que independente da condição econômica, o direito à saúde prometido na Constituição de 1989 seja de fato garantido.

Fica evidente, portanto, que grande parte das pessoas acima do peso sofrem com a saúde e o preconceito no Brasil. Dessa forma, cabe ao Ministério da Saúde - principal órgão governamental responsável por cuidar do bem-estar da nação -, em parceria com a mídia, deverá investir no auxílio médico e no planejamento alimentar, por meio da distribuição de nutricionistas e psicólogos em unidades de saúde pública e, na realização de campanhas nas redes sociais tratando sobre os malefícios do padrão de beleza, com o intuito de mitigar os impactos causados pelos estereótipos e fornecer um estilo de vida saudável para a população. Assim, o estilo de vida dos brasileiros poderão se tornar referência para os outros países, evitando os problemas causados pela obesidade.