Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 28/10/2020

Durante a Idade Média, a corpulência era sinônimo de poder aquisitivo aos homens e glamour as mulheres, segundo o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Contudo, a nova face atribuída ao sobrepeso na sociedade verde amarela é substancialmente pejorativa, o que, além dos danos à saúde da população vultosa, reflete a gordofobia - aversão a pessoas gordas. Com efeito, as causas do problema evidenciam-se, sobretudo, por uma alimentação maléfica, bem como o preconceito.

Em primeiro lugar, uma refeição tóxica de elevado teor lipídico é nociva à higidez do corpo humano. Nesse sentido, empresas alimentícias vendem a imagem dos seus produtos atrelados à felicidade, quando, na maioria das vezes, essas mercadorias são responsáveis pela degradação da saúde do consumidor e acarretam a obesidade. Analogamente, o tratamento para doenças colaterais,como a hipertensão e a diabete, colabora negativamente para gastos excessivos na saúde pública, impedindo que uma substancial verba seja destinada a campanhas contra uma nutrição desregulada. Sendo que, como sequela, isso acarreta a manutenção desse cenário. Comprova-se, assim, por uma pesquisa divulgada pelo jornal Tempo, em 2020, que mais de 2,3 bilhões de crianças e adultos no mundo estão com sobrepeso ou obesidade. Destarte, é inaceitável o atual modelo alimentício brasileiro.

Por conseguinte, o preconceito ao excesso de massa é nocivo, hoje, à diversidade. Ainda nessa lógica, a suposta valorização da multiplicidade, hodiernamente, cria um hiato entre a geração medieval e a atual. Contudo, nota-se o desprestígio da variedade, devido à depreciação do gordo. Acerca disso, o médico Sigmund Freud, em seu livro Totem e Tabu, descreve os totens como elementos importantes para uma povo, enquanto os tabus são condutas reprováveis, sendo assim, pouco discutidos. Posto isso, o tabu da gordofobia comprova o tratamento displicente da população brasileira com a aceitação da rotundidade, o que segundo dados do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística já acometeu de alguma forma cerca de 90% da população brasileira. Logo, é inadmissível a atuação civil na manutenção do estorvo.

Portanto, a fim de promover a higidez da parcela gorda e o desfecho da gordofobia , é necessário afrontar o problema. Dessa forma, a mídia deve promover ações de “merchandising” social  por meio da inserção de temas relacionados ao debate sobre a ingestão consciente em telenovelas, filmes e peças de teatro. Enquanto isso, fertilizar uma reflexão da comunidade, com a finalidade de valorizar a pluralidade. Espera-se, como resultado, que a análise da sociedade proporcione manifestações sociais em prol do fim da gordofobia. Nessa perspectiva, é tangível a resolução para os problemas de alimentação, como ,também, a “totemtização” do discurso sobre a mazela