Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 26/10/2020
No final do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido à perseguição nazista na Europa. À vista disso, por ser bem recebido e impressionado com o potencial da nova casa, Zweig escreveu um livro cujo título é repetido até hoje “Brasil, País do Futuro”. Entretanto, quando se observa, os preconceitos acerca de questões de saúde como a obesidade e o sobrepeso no País, percebe-se que as ideias do autor não saíram do papel. Em síntese, esse cenário antagônico é fruto tanto de questões políticas-estruturais quanto do surgimento e desenvolvimento da gordofobia.
Precipuamente, é fulcral pontuar que essas circunstâncias derivam da baixa atuação dos setores governamentais. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial seria racional acreditar que há no Brasil um sistema de saúde pública e um projeto de ensino alimentar eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto, e o resultado desse contraste é claramente refletido no desenvolvimento de problemas como a adiposidade e devido a ela diversos outros enfermos como a diabete e a hipertensão. Logo, é inadmissível que no Brasil, país com altas taxas de imposto, não haja na mesma proporção, programas eficientes de educação alimentar que preservem a saúde e o bem-estar de seus cidadãos.
Ademais, é imperativo ressaltar o avanço da gordofobia como promotor do problema. Segundo um documento apoiado por mais de 100 instituições, publicado pelo periódico científico Nature Medicine, cerca de 19 a 42% dos adultos já sofreram alguma discriminação por estarem acima do peso. Além disso, a gordofobia é um neologismo criado para indicar o preconceito de pessoas que julgam o excesso de peso como um fator que mereça seu desprezo, o que pode levar indivíduos a buscarem métodos para perder gordura de forma mais rápida e até mesmo utilizarem drogas consideradas nocivas à saúde. Portanto, torna-se necessário refletir sobre a situação, assim como os impactos nefastos e irreversíveis que essa cruel realidade ocasiona sobre todo o corpo social.
Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Para isso, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se de que o Tribunal de Contas da União direcione capital que por intermédio do Ministério da Saúde, será revertido na melhoria do Sistema Único de Saúde (SUS) e na realização de campanhas publicitárias televisionadas em escolas e universidades. Além disso, tais debates devem ser ministrados por especialistas em saúde pública, tendo como foco informar a população sobre os riscos que o sobrepeso pode causar. Outrossim, o Governo deve ainda criar projetos de educação alimentar e cartilhas que visem informar e combater a gordofobia. Enfim, só assim, a convicção de Zweig acerca do Brasil se tornará uma realidade no presente.