Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 27/10/2020
A trama do filme “Sierra Burgess é uma Loser”, lançado em 2018, aborda um romance por engano, na qual um atleta pensa estar sendo correspondido virtualmente por uma garota popular quando, na verdade, trata-se de uma jovem nerd que está acima do peso e, por isso, tenta esconder sua real identidade. Não obstante, esse cenário marcado pelo preconceito caracteriza-se como uma realidade intrínseca à sociedade brasileira, que não dispõe de ações afirmativas eficientes para tal problemática. Dessa forma, convém analisar os fatores e efeitos referentes à obesidade e sobrepeso no País.
É importante destacar, à princípio, as fontes socioeconômicas que influenciam diretamente no mau hábito alimentar. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o sobrepeso atinge em torno de 54% dos brasileiros, o que reflete um quadro preocupante, já que mais da metade da população convive sob essa condição. Desse modo, verifica-se o estresse rotineiro, a ausência da prática de exercícios, a preferência pela alimentação prática, como também a persuasão midiática e a carestia de alimentos saudáveis como os principais impulsionadores do excesso de peso e, consequente, predisposição à obesidade.
Vale ressaltar, ainda, os impactos ligados ao consumo alimentício inconsciente. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, o fato social consiste numa série de manifestações sociais que transcendem o indivíduo e exercem o controle sobre o mesmo. Nesse viés, o caráter intimidador das piadas gordofóbicas representa um típico exemplo desse objeto de estudo sociológico, uma vez que estimula o isolamento, os transtornos alimentares e mentais, além da busca indiscriminada por dietas e remédios milagrosos para o rápido emagrecimento como uma tentativa para se encaixar nos padrões impostos. Dessa maneira, avalia-se um panorama intolerante que urge por resoluções efetivas.