Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 06/11/2020

Em “This is Us” - série americana de drama - Kate Pearson é uma mulher que lida, desde a infância, com a compulsão alimentar e com a busca pela perda de peso, o que a leva a ter problemas de saúde, além de sofrer com o preconceito. Embora ficcional, tal cenário faz-se presente na contemporaneidade, haja vista o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil. Assim, torna-se necessário discutir acerca do estilo de vida contemporâneo, uma vez que influencia os maus hábitos alimentares, e do culto à magreza sustentado por estereótipos vigentes.

Em primeira análise, é imperativo salientar que a rotina da sociedade atual corrobora para o aumento da obesidade. Isso é afirmado, pois, de acordo com dados de 2019 da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), desde 2002 as prevalências de excesso de peso para adultos com mais de 20 anos têm aumentado em ambos os sexos no Brasil. Nesse sentido, o imediatismo constante na realidade capitalista propicia a busca pela praticidade, encontrada em alimentos industrializados e ultraprocessados, como os “fast-foods”. Atrelado a isso, a ausência de tempo e o cansaço - ambos devido à rotina acelerada - geram a falta de exercícios físicos e o sedentarismo. Consequentemente, tais hábitos não saudáveis - praticados a longo prazo - favorece o acúmulo de gordura.

Em contrapartida, embora a obesidade seja um problema, o culto ao corpo magro - perpetuado em virtude de padrões sociais - também é um revés, uma vez que propaga a gordofobia. Sob esse viés, youtuber Alexandra Gurgel, aborda em seu canal (Alexandrismos) vários desafios das pessoas gordas e afirma que, para a sociedade, gordura é automaticamente associada à doença, pois desqualifica-se a forma física que não está no padrão estabelecido. Dessa forma, o preconceito e exclusão das pessoas gordas é justificado pela população com base na falsa relação contínua entre saúde e sobrepeso, visto que corpo gordo não é sinônimo de patologias, o que pode acarretar em baixa autoestima para as pessoas que não se enquadram no estereótipo.

É urgente, portanto, que o Ministério da Saúde - principal responsável por garantir a proteção e a recuperação da saúde pública - incentive, em parceria com o Ministério da Educação, desde a tenra idade, hábitos saudáveis de alimentação e, também, a prática de exercícios físicos, por meio de palestras, gincanas e cartilhas educativas, que visem evitar o aumento da obesidade, além de influenciar a mudança dentro das famílias. Ademais, deve, associado às mídias televisivas e virtuais, valorizar a diversidade dos corpos e quebrar o paradigma que relaciona doenças à condição corporal, por intermédio de propagandas e personagens representativos, a fim de combater a gordofobia na sociedade e escapar da realidade apresentada em “This is Us”.