Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 03/11/2020

A Constituição Federal de 1988 garante o direito ao bem-estar coletivo. Entretanto, ao observar o cenário da obesidade e sobrepeso no Brasil, analisa-se que a prerrogativa estatal não é cumprida em sua totalidade, corroborando para a incidência progressiva de preconceitos e, consequentemente, desencadeando doenças psicológicas pela falta de apoio estatal e midiática. Dessa forma, é necessário observar as causas que fazem dessa problemática uma realidade nacional.

A princípio, parafraseando o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é gestor dos interesses coletivos. Entretanto, indo de encontra a máxima de Hobbes, observa-se que, muitas vezes, o Poder Público omite seu papel na educação cidadã brasileira frente aos casos de bullying com indivíduos acima do peso considerado “padrão”. Esse fato é evidenciado pela pesquisa do Programa Internacional do Estudante em que um a cada dez brasileiros é vítima de violência verbal. Consequentemente, a omissão de políticas públicas corrobora para o agravamento desses dados e para a insegurança social de pessoas obesas.

Ademais, em paráfrase a Theodor Adorno, a massificação caracteriza a sociedade. Nesse contexto, observa-se uma padronização corporal que é disseminado desde a Grécia Antiga a partir de esculturas de pessoas sempre definidas corporalmente até a atualidade com propagantes de TV em que os protagonistas, na maioria das vezes, são magros. Dessa forma, cria-se um esteriótipo de que a obesidade é perigosa, acarretando em transtornos psicológicos em pessoas gordas, como afirmou uma Pesquisa da Universidade da Pensilvânia. Consequentemente, esse padrão corporal acaba sendo mais prejudicial que a própria obesidade.

Portanto, o sobrepeso no Brasil é marcado por preconceitos. Dessa forma, é necessário que o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, promova a diminuição nas taxas de bullying, criando eventos escolares que ressaltem a importância da tolerância e adicionando a educação cidadã à matriz curricular de ensino a fim de garantir mais igualdade. Além disso, o Poder Público deve arrojar medidas de inclusão na mídia, dando benefícios fiscais à empresas que promovam diversidade corporal em suas propagandas com o intuito de propagar representatividade. Talvez, dessa forma, seja possível garantir o funcionamento da benesse constitucional e a quebra da massificação de Adorno.