Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 04/11/2020
No Brasil do século XXI, o número de indivíduos obesos - 22,3% da população nacional - ultrapassou a porcentagem de subnutridos - 2,5% dos cidadãos -, consoante dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. Assim, verifica-se o crescente número de pessoas na faixa do sobrepeso e da obesidade que enfrentam, consequentemente, obstáculos no âmbito da saúde e do preconceito. Como pano de fundo, constatam-se como intensificadores dos empecilhos: os graves danos ao bem-estar físico associados à frequente descriminação. Isto posto, o acendimento dos holofotes políticos e sociais faz-se urgente para a minimizar os óbices existentes.
Em primeira análise, destaca-se o comprometimento da saúde física do indivíduo sobrepeso e obeso. Conforme a produção midiática “O Sistema: um relato da saúde no Brasil” do médico Drauzio Varella, estar na condição supracitada implica maiores tendências de desenvolver quadros de pressão alta, diabetes, problemas reumatológicos, ortopédicos e doenças cardiovasculares. Além disso, segundo o especialista, o Sistema Único de Saúde brasileiro não oferta aos necessitados o tratamento clínico para a obesidade - baseado na mudança de hábitos -, apenas o procedimento cirúrgico em circunstâncias já avançadas e de riscos acentuados. Sob este viés, é mister reverter as insuficientes políticas públicas, a fim de ampliar a assessoria aos que sofrem danos ao bem-estar decorrentes do revés.
Outrossim, salienta-se o preconceito como ponto nevrálgico dos intempéries sociais encontrados pelos sobrepesos e obesos. De acordo com a teoria apresentada na obra “Elogia à Serenidade” do filósofo italiano Norberto Bobbio, os efeitos do preconceito abarcam desde a discriminação jurídica à marginalização social e perseguições. Somado ao citado evidencia-se que a gordofobia, denominação dada ao preconceito acerca da obesidade, está presente no dia a dia de 92% do tecido social- consoante o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística. Desse modo, torna-se imprescindível debelar tais práticas na comunidade.
Infere-se, portanto, a gravidade dos imbróglios entre a saúde e o preconceito decorrentes do problema da obesidade e sobrepeso no Brasil. Nesse ínterim, compete aos núcleos educacionais em parceria com os familiares, estabelecer uma relação mutualística de cooperação e conscientizar jovens e crianças acerca dos impactos negativos da discriminação, via atividades lúdico-pedagógicas adequadas à faixa etária, para promover uma mudança atitudinal nas futuras gerações e reduzir a incidência da gordofobia. Como também, cabe Ministério da Saúde, ampliar a rede de suporte e apoio aos obesos e sobrepesos, por meio da definição de uma agenda econômica que estenda aos necessitados a cobertura de tratamentos clínicos necessários, com o objetivo de evitar a longo e