Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 05/11/2020
Na Idade Média, o sobrepeso era sinônimo de riqueza e frequente entre os nobres e a elite. Nessa época, é perceptível, por exemplo, quadros de pintores flamengos e impressionistas que retratavam homens e mulheres em ambiente palaciano com pesos acima do considerado, hoje, adequado. Atualmente, no entanto, a obesidade e o sobrepeso são problemas sociais vinculados diretamente à saúde e ao preconceito, com amplo impacto na vida dos indivíduos brasileiros. Nessa perspectiva, convém analisar os aspectos sociais que influenciam a inercial problemática.
É primordial ressaltar que o excesso de peso está relacionado ao comprometimento do bom funcionamento do organismo. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais da metade da população brasileira está acima do peso e a estimativa é que, em 2025, o Brasil conte com cerca de 11,3 milhões de crianças com excesso de peso. Desse modo, doenças associadas – diabetes, hipertensão, complicações cardiovasculares – são, infelizmente, a perspectiva para essa população que é acometida pelo sobrepeso e obesidade desde a infância, demonstrando, a necessidade de adotar hábitos saudáveis desde a juventude, evitando que tais estimativas se concretizem. É crucial, portanto, que o tratamento e a prevenção da obesidade sejam efetuados e priorizados pela saúde pública.
Ademais, o culto da padronização corporal, característica da sociedade pós-moderna, estimula o preconceito contra diferentes biótipos. O filósofo Foucault refletia em sua obra sobre o fato de que nossos corpos são moldados para servir aos propósitos do sistema no qual vivemos. Nesse sentido, hoje, o padrão corporal considerado ideal pela sociedade não é facilmente alcançado, suscitando em um corpo social frustrado e suscetível a meios extremos para legitimar a imposição dominante, tendo como consequência o aumento do número de casos de distúrbios alimentares e depressão, advindo de um sentimento de inferioridade por não reproduzirem um arquétipo de estética. Assim, é necessário desmistificar o conceito de saúde atrelada a magreza, mas sim, a boa alimentação.
Infere-se, portanto, que a obesidade e o sobrepeso são desafios que devem ser combatidos. Nessa perspectiva, é imperiosa uma ação do Ministério da Saúde, que deve implantar nas escolas e Unidades Básicas de Saúde, programas de combate à obesidade, por meio de acompanhamento multiprofissional - nutricionistas, psicólogos e médicos – gratuito e acessível, a fim de tratar os casos de sobrepeso e promover a prevenção coletiva da doença. Ademais, cabe ao MEC, por meio de campanhas divulgadas pela mídia atentar para a necessidade de uma alimentação saudável para o alcance de um organismo saudável, com o fito de promover a qualidade alimentícia e desenvolver um pensamento crítico sobre o assunto. Assim, será possível, gradativamente, melhorar a qualidade de vida dos brasileiros.