Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 06/11/2020
No filme Dumplin, produção da Netflix, a personagem principal, Willowdean, sofre intensamente desde de criança com o bullying por estar acima do peso. Embora essa seja uma produção cinematográfica, retrata a realidade e o drama de muitas crianças e adolescentes nos dias atuais, principalmente no Brasil, onde tal situação tem origem tanto no padrão de beleza vinculado, tanto na falta de informação. Dessa forma, medidas são necessárias para sanar esse impasse.
Em primeira análise, o estigma do corpo perfeito é imposto todos os dias e enraizado nas cabeças do povo brasileiro, seja em capas de revistas, nas redes sociais ou na televisão — a qual apresenta pouquíssimas representatividades. No entanto, esse padrão é quase impossível de ser atingido, resultando em uma sociedade frustrada por nunca alcançar o que lhe é imposto. Dessa forma, quem lucra é a indústria de massa, que fabrica produtos justamente para padronizar a população, para que tais pessoas consigam alcançar o irreal padrão de beleza pré-determinado. Logo, aqueles que não o seguem, são alvos de chacota e violência física e verbal.
Em segunda instância, a ideia errônea de que a gordura está vinculada aos problemas de saúde apenas afirma que essas padronizações não respeitam biotipos, nem predisposições genéticas. Sendo esse pensamento muito usado como desculpa pelos indivíduos intrinsecamente ligados ao ideal padronizado que atacam verbal ou fisicamente aqueles que estão fora do “padrão de beleza”. Sendo assim, ser gordo não é sinônimo de ser doente.
Depreende-se, portanto, medidas contra essa mentalidade de exclusão. Cabe à escola levantar questionamentos reflexivos e debater sobre os estigmas corporais, por meio de debates em grupo e palestras com especialistas, para alertar os jovens sobre o conceito equivocado do padrão de beleza. A mídia, por sua vez, deve assumir a sua responsabilidade enquanto formadora de opinião e promover uma reflexão aprofundada sobre o assunto. Também é necessário incluir mais representatividade nos filmes e séries, para que as pessoas se vejam na tela e para que ocorra a total desmistificação do “padrão”.