Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 13/11/2020

No filme americano “Professor Aloprado”, o personagem principal, após virar motivo de piada em um show de Stand Up por ser obeso, resolve toma uma fórmula para emagrecer e se sentir melhor com o próprio corpo. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere à obesidade e à gordofobia. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui a má alimentação e má influencia midiática como agravantes do problema.

Convém ressaltar, a princípio, que a alimentação ruim é um fator determinante para a persistência do problema. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da obesidade é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social onde os alimentos industrializados se tornaram a fonte principal de nutrição, a tendência é adotar esse comportamento também. Dessa forma, segundo a pesquisa da Faculdade de administração em Barcelona, o Brasil é o país recorde em consumo de fast food na América do sul; dados que comprovam a gravidade do problema.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a influencia negativa da mídia sobre a população. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertida em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema. Assim sendo, ao veicular um padrão de beleza diferente da realidade dos brasileiros, a mídia contribui para o desencadeamento de transtornos alimentares e busca por um emagrecimento a qualquer custo, assim como o personagem de “Professor Aloprado”

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Assim, especialistas no assunto, com o apoio de ONGs também especializadas, devem desenvolver ações que revertam a má influência midiática sobre a gordofobia. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando com o tratamento que a mídia dá com relatos de pessoas que de fato vivenciaram tal problema. É possível, também, criar uma “hashtag” para identificar a campanha e ganhar mais visibilidade, a fim de conscientizar a população sobre as consequências do tratamento que determinados canais de comunicação dão ao assunto.