Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 09/11/2020

A trama do filme “ o amor é cego”, lançado em 2001, aborda um romance, no qual o protagonista foi ensinado patriarcalmente a sempre namorar apenas as formas da “perfeição” física feminina, em um certo momento ele é hipnotizado e começa a se atrair em todo tipo fisicamente, até que se apaixona por uma mulher obesa. Assim sendo, o cenário é marcado por uma realidade intrínseca à sociedade brasileira, que não possibilita afirmativas eficientes para tal problemática. Dessa forma, é necessário analisar fatores e efeitos referentes à obesidade e sobrepeso no País.

Primeiramente, a exclusão social de pessoas obesas ou com sobrepeso na sociedade, é a causa latente do problema. Bauman dizia “certas entidades podem ser incluídas numa classe apenas na medida em que outras são excluídas”. Da mesma maneira ocorre contemporaneamente, em que pessoas com sobrepeso, são excluídas socialmente, por não estarem incluídas no “padrão” que a sociedade impõe. Assim, o complexo de inferioridade pode causar males à saúde e a não aceitação do próprio corpo acarreta certos problemas psicológico.

Em seguida, outro ponto importante, é o fato da vigência governamental. Segundo Norberto Bobbie, filósofo italiano, a dignidade é uma virtude que pertence ao ser humano, logo o Estado tem o dever de garantir saúde de qualidade para todos, mas tem falhado com o seu dever, ao invés de investir em tratamento a obesidade, quando o paciente está em sobrepeso, dão prioridades há cirurgias bariátricas, consequentemente sobrecarregando o sistema, e a lista de espera ficando alta, dificultando a pessoa de ter um tratamento decente para melhorar a condição de vida.

Portanto, medidas para que a saúde da população obesa e com sobrepeso possam melhorar, fazem-se necessárias. Neste contexto, cabe ao Ministério da Saúde, com parcerias público-privadas, investir em auxílio médico e planejamento alimentar, distribuindo nutricionistas em unidades de saúde, construções de academias gratuitas e na realização de campanhas publicitarias e palestras, que divulguem os riscos de atos gordofóbicos, afim de promover a conscientização, e com isso a dignidade cidadã e o equilíbrio entre o sedentarismo e o estilo de vida saudável.