Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 06/11/2020
O enredo do filme “Sierra Burgess is a Loser”, lançado em 2018, conta um romance por engano, no qual um atleta pensa que flerta na internet com uma garota popular quando, na verdade, troca mensagens com uma jovem nerd muito acima do peso que tentou esconder sua verdadeira identidade. No entanto, esse cenário de preconceito se caracteriza como uma realidade inerente à sociedade brasileira, que não possui ações afirmativas efetivas para esse problema. Por isso é tão importante analisar os fatores e consequências da obesidade e do sobrepeso no país.
É importante destacar, à princípio, as fontes socioeconômicas que influenciam diretamente no mau hábito alimentar. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o sobrepeso atinge em torno de 54% dos brasileiros, o que reflete um quadro preocupante, já que mais da metade da população convive sob essa condição. Desse modo, verifica-se o estresse rotineiro, a ausência da prática de exercícios, a preferência pela alimentação prática, como também a persuasão midiática e a carestia de alimentos saudáveis como os principais impulsionadores do excesso de peso e, consequente, predisposição à obesidade.
Também vale a pena mencionar os efeitos associados à ingestão de alimentos sem saber. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, um fato social consiste em uma série de manifestações sociais que vão além do indivíduo e exercem controle sobre ele. Nesse viés, a natureza intimidante da piada da fobia de gordura é um exemplo típico desse assunto de pesquisa sociológica, pois estimula o isolamento, os transtornos alimentares e mentais, bem como a busca indiscriminada por dietas e curas milagrosas para perda rápida de peso na tentativa de se ajustar aos padrões impostos. É assim que se avalia um panorama intolerante e urgente por soluções eficazes.
Torna-se evidente, por fim, a adoção de medidas capazes de atenuar o impasse. Nesse contexto, cabe ao Ministério da Saúde, com parcerias público-privadas, investir no auxílio médico e planejamento alimentar, por meio da distribuição de nutricionistas e psicólogos em unidades de saúde, da construção de academias gratuitas com instrutores capacitados e na realização de campanhas publicitárias e palestras, ministradas por especialistas, que divulguem os riscos de atos gordofóbicos, a fim de promover o devido acompanhamento e orientação aos indivíduos, garantindo, assim, a dignidade cidadã e o equilíbrio adequado entre o sedentarismo e o estilo de vida saudável.