Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 09/11/2020
Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no último século, o número de subnutridos era superior ao número de obesos no país no mesmo período. Entretanto, enquanto os casos de desnutrição foram controlados, o aumento desenfreado da obesidade e do sobrepeso vem preocupando especialistas e profissionais da área da saúde. Esse crescimento descontrolado pode ser associado a má alimentação e ao sedentarismo, e, além de incentivar o surgimento de problemas graves de saúde, também evidencia os problemas psicológicos e o preconceito que essa parcela da população sofre em decorrência do excesso de peso.
De acordo pesquisa publicada pelo Ministério da Saúde, cerca de 18% dos brasileiros são obesos e 54% sofre com o sobrepeso. Entre diversas razões, tais números se devem, principalmente, ao consumo excessivo de alimentos industrializados e a falta de uma dieta balanceada e saudável, de maneira que muitas pessoas optam por refeições práticas, assim como as encontradas em redes de fast food. Tal fato propicia o surgimento de doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão e colesterol, sendo esses quadros muitas vezes irreversíveis. Além disso, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), metade da população brasileira não pratica atividades físicas, fator que contribui para o aumento de casos de morbidade e mortalidade e está relacionado a falta de informação sobre a importância de atividades físicas para o controle e combate de doenças.
Ademais, além dos malefícios a saúde física, a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) afirma que cerca de 60% dos pacientes com obesidade sofrem com algum distúrbio psiquiátrico e transtornos psicológicos, tal que muitas pessoas desenvolvem compulsão alimentar, ansiedade, depressão, baixa autoestima e fazem uso medicamentos para um emagrecimento acelerado e não saudável. Nota-se que o preconceito é outro impasse na vida da população obesa, que não possuem assentos adaptados nos transportes públicos e sofrem com a desmoralização em empresas, sendo associadas pela aparência física como incapazes ou não aptas para determinados cargos, por exemplo. Sendo assim, são necessárias medidas para resolução da problemática.
Diante do argumentos supracitados, faz-se necessário que o Estado invista em campanhas publicitárias que orientem e conscientizem a população sobre a importância da alimentação saudável e da prática de exercícios físicos, criando debates e conversas sobre os perigos que a obesidade pode acometer a curto e longo prazo, além de ser imprescindível o encaminhamento a um nutricionista. Outrossim, palestras e programas sociais devem ser criados para que o preconceito e estigmas sociais sejam extintos e o padrão estético seja erradicado, evitando, assim, a exclusão social dessas pessoas.