Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 06/11/2020

Desde a década de 70, a indústria alimentícia se fortalece em inovações e tecnologias que visam o aumento da produtividade em escala global. Entretanto, o aumento excessivo nos índices de sódio, açúcares e gorduras na composição desses gêneros são, atualmente, fatores nocivos à saúde mundial. Na conjectura brasileira, estima-se que mais da metade da população esteja acima da média ideal de massa corporal, incluindo-se crianças e adolescentes. Dessa maneira, é necessária a discussão acerca dos impactos sociais da obesidade e sobrepeso, pois são reveladores dos estilos de vida contemporâneos e indicam a necessidade de adaptações públicas às novas realidades.

Em primeira análise, a nocividade da obesidade está relacionada a debilitação do metabolismo humano, visto que este passará a ter dificuldade em realizar suas funções habituais. Sabe-se, também, que suas causas estão relacionadas a aspectos da vida moderna, como o consumo de produtos extremamente industrializados e a ausência da prática habitual de atividades físicas. Dessa forma, a falta de incentivo à prática de exercícios e o super estímulo ao consumo de gêneros açucarados e gordurosos estão adoecendo a população brasileira. A longo prazo, a sociedade terá adultos que desde crianças estiveram sob a condição de sobrepeso e que sofrem com restrições e pressões sociais.

Concomitantemente ao crescimento do número de obesos e de pessoas com sobrepeso, ocorre o surgimento de um fenômeno de combate à piadas e do preconceito contra esses grupos, o que gerou a criação do termo “gordofobia” e mais conversas acerca de tal tema. Com isso, caso fosse exibido hoje uma novela como Saramandaia, com a personagem Dona Redonda que é satirizada pelo autor por ser obesa -e na ficção literalmente “explode” devido sua forma física-, haveria uma reação negativa por parte do público, que hoje problematiza esse tipo de abstração em tom de sarcástico. No entanto, ainda há muito tabu em torno disso, o que ainda ocasiona muitas falas preconceituosas.

Portanto, é indispensável que haja a atuação das autoridades governamentais competentes e seja objeto de discussão pela sociedade civil. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde criar um programa específico acerca dos problemas com peso no qual um protocolo seja implementado no Sistema Único de Saúde (SUS) focado no atendimento aos pacientes que não estejam no peso adequado, cuja finalidade seja que eles tenham acesso a consultas e sejam acompanhados constantemente por nutricionistas, psicólogos, cardiologistas e outros especialistas para impedir com que doenças decorrentes disso se manifestem. Por fim, deve haver debates maiores com o intuito de enfatizar os danos psicológicos causados à vítima por atitudes preconceituosas contra o corpo das mesmas.